Ministro israelense se diz contra beatificação de Pio XII

Jerusalém, 23 out (EFE).- O ministro da Diáspora, Sociedade e Luta contra o Anti-semitismo israelense, Isaac Herzog, considera inaceitável a beatificação do papa Pio XII, a quem os judeus acusam de passividade durante o período do Holocausto.

EFE |

Seu pontificado (1939-1958) coincidiu com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"A tentativa de transformar Pio XII em santo é inaceitável", disse Herzog em declarações publicadas hoje pelo jornal "Ha'aretz".

Herzog, filho do ex-presidente israelense Chaim Herzog (1983-1993), acrescentou que, "no período do Holocausto, o Vaticano sabia muito bem o que estava acontecendo na Europa", disse, referindo-se à perseguição de judeus em guetos e campos de concentração nazistas.

"E mesmo assim, não há provas de nenhuma medida que o papa tenha tomado e que estivesse à altura da Santa Sé", completou.

Pio XII é acusado por historiadores, pesquisadores e organizações judaicas de não ter protestado contra os nazistas pelo massacre indiscriminado de judeus. Por isso, a intenção da Santa Sé de beatificá-lo é vista com receio.

"A tentativa de beatificá-lo é se aproveitar do esquecimento (do assunto) e da falta de conhecimento geral", disse Herzog.

"Em vez de agir de acordo com o versículo bíblico 'não conspirarás contra o sangue do teu próximo', Pio XII se manteve em silêncio", acrescentou.

Segundo a imprensa israelense, a existência no Museu do Holocausto de Jerusalém de uma placa que faz alusão ao suposto silêncio de Pio XII sobre os massacres nazistas de judeus é a principal razão de o papa Bento XVI não visitar Israel. EFE elb/wr/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG