Bruxelas, 21 fev (EFE).- A presença em Bruxelas do ministro de Assuntos Exteriores israelense, Avigdor Liberman, e a ideia de reconhecer um Estado palestino antes de definir suas fronteiras com Israel serão amanhã os principais assuntos do Conselho de Ministros de Assuntos Exteriores da União Europeia (UE).

Lieberman não se reunirá com o Conselho, mas sim com ministros da UE e com a alta representante do bloco, Catherine Ashton, justo quando o uso de passaportes de quatro países comunitários no assassinato em Dubai do dirigente do Hamas Mahmoud al Mabhuh - supostamente pelas mãos do Mossad israelense - atrapalhou as relações entre Israel e Europa.

Apesar de Israel não querer falar oficialmente sobre o assunto, as reuniões de Lieberman terão a sombra do uso de passaportes europeus no assassinato de Mabhuh, ocorrido em janeiro, o que criou mal-estar em vários países europeus, especialmente no Reino Unido, cujo ministro de Assuntos Exteriores, David Miliband, será um dos que encontrará com o titular israelense.

Segundo o Ministério de Assuntos Exteriores israelense, a agenda oficial de Lieberman inclui questões sobre o conflito do Oriente Médio e como prevenir que o Irã chegue a uma arma nuclear.

A possibilidade do reconhecimento de um Estado palestino antes da definição de suas fronteiras com Israel certamente entrará em discussão com a UE depois que o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, ter apoiado a ideia em entrevista divulgada neste sábado pela imprensa de seu país.

Kouchner, que não estará amanhã em Bruxelas, se mostrou favorável à "rápida proclamação de um Estado palestino e seu reconhecimento imediato pela comunidade internacional, antes inclusive da negociação das fronteiras".

Em Israel, fontes diplomáticas israelenses disseram hoje à Agência Efe que o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e Kouchner promovem o reconhecimento de um hipotético Estado palestino dentro de 18 meses, embora suas fronteiras com Israel não estejam definidas.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, estará em Bruxelas na terça-feira e na quarta-feira para promover seu plano de reconhecimento, lançado há meses, mas rejeitado por Israel.

Abbas, que faz uma viagem por países europeus em busca de apoio à proposta, se reunirá na terça-feira com o primeiro-ministro belga, Yves Leterme, e na quarta-feira com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Os responsáveis da UE e o próprio Moratinos creem na retomada das conversas de paz entre israelenses e palestinos, suspensas há mais de um ano.

O conflito no Oriente Médio deixou em segundo plano a agenda do Conselho de Ministros comunitário, que inclui, entre outros assuntos, o programa nuclear iraniano, o apoio europeu à reconstrução do Haiti e a nomeação de um novo representante da UE no Afeganistão. EFE rcf/bba

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