Ministro israelense acusa EUA de estimularem radicais árabes

Por Dan Williams JERUSALÉM (Reuters) - Um ministro israelense disse na segunda-feira que a pressão do governo Obama para que Israel suspenda a ampliação de assentamentos vai fortalecer os radicais palestinos e dificultar a retomada do processo de paz.

Reuters |

A tensão entre os aliados Israel e EUA vem crescendo nas últimas três semanas, desde que o Estado judeu anunciou a intenção de construir 1.600 moradias para colonos em áreas da Cisjordânia anexadas a Jerusalém Oriental.

Os palestinos, que reivindicam Jerusalém Oriental como capital do seu eventual Estado, reagiram ao anúncio recuando da decisão de participar de negociações indiretas sob mediação dos EUA.

Benny Begin, membro do núcleo ministerial do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, disse que Washington está se afastando da sua posição anterior de que o futuro de Jerusalém deveria ser decidido em negociações de paz.

"É chato, e certamente preocupante", disse Begin à Rádio Israel. "Esta mudança definitivamente trará o objetivo contrário ao declarado. Irá causar um endurecimento na política dos árabes e da Autoridade Palestina."

O impasse político coincide com um aumento na violência na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Tentando salvar as negociações, os EUA querem que Israel adote medidas não-especificadas de boa vontade para conquistar a confiança dos palestinos.

O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, disse ao jornal Maariv que uma dessas medidas seria "congelar as construções na maioria dos bairros judeus de Jerusalém". Ele citou quatro assentamentos orientais como exemplos. Netanyahu se recusa a suspender quaisquer projetos no município de Jerusalém.

"Tenho certeza de que vamos convencer os EUA de que essa exigência não é razoável", disse Lieberman ao jornal.

Na semana passada, Netanyahu mereceu uma recepção excepcionalmente discreta numa visita que fez à Casa Branca, sem direito a sessão de fotos nem declaração conjunta.

As queixas de Begin ao governo Obama foram ecoadas por outros membros do núcleo ministerial, que tem sete membros, define as políticas de governo e é dominado por direitistas como o próprio Netanyahu.

Begin, que é filho do falecido primeiro-ministro Menachem Begin, historicamente se opõe à criação do Estado palestino na Cisjordânia, território capturado por Israel na guerra de 1967 e hoje pontilhado por assentamentos judaicos.

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