Por Khalid al Ansary BAGDÁ (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores do Iraque disse no sábado que membros das forças de segurança podem ter participado da organização de um atentado com um caminhão-bomba e pediu uma investigação séria e responsável.

Hoshiyar Zebari criticou a decisão do primeiro ministro Nuri al-Maliki de remover as muretas de segurança das ruas de Bagdá, dizendo que isso foi uma das causas que levaram à morte de mais de 100 pessoas no ataque de quarta-feira.

"De acordo com nossas informações, houve a colaboração de agentes da segurança com os assassinos", disse Zebari a jornalistas no ministério, onde dezenas de pessoas se cortaram com estilhaços de vidro da explosão.

Mais de 1.000 pessoas ficaram feridas ali e numa segunda explosão no Ministério da Fazenda.

Zebari não ofereceu evidências diretas para a acusação. Ele mais tarde acrescentou que os atacantes devem ter sido ajudados pela polícia ou por soldados para passarem pelos pontos de checagem, porque caminhões grandes são proibidos dentro da cidade durante o dia.

Os ataques, realizados por ativistas suicidas que conduziram os caminhões, balançaram uma sensação de estabilidade que havia no Iraque depois que tropas americanas saíram dos centros urbanos e passaram a responsabilidade pela segurança às forças iraquianas.

Eles também afetaram as chances de Maliki ganhar a eleição nacional em janeiro. Uma das bases da plataforma política dele é a queda na violência nos últimos 18 meses assim como o aumento da confiança da população nas forças de segurança locais.

O governo, liderado pelos xiitas, celebrou a saída das tropas americanas dos centros urbanos como uma vitória sobre a ocupação estrangeira, seis anos depois da invasão americana. O plano de Maliki de remover a maior parte dos muros de contenção de explosões em 40 dias era uma demonstração de fé nas forças iraquianas que alguns críticos estão chamando de prematura.

"A remoção dos muros de contenção e dos pontos de checagem por causa de uma falsa sensação de segurança é também uma das razões que levou ao ataque," disse Zebari, acrescentando que esforços para trazer investidores estrangeiros ao país estão causando a impressão errada.

"As coisas deveriam receber os nomes que elas têm e temos de parar de fazer afirmações otimistas desnecessárias. Temos de dizer a verdade às pessoas. Houve uma deterioração na segurança e os dias por vir serão piores."

Muitos iraquianos acusam a rivalidade entre os xiitas antes da eleição, ou disputas antigas entre os xiitas, que são maioria, e os sunitas que antes dominavam e os curdos, pelas explosões.

O governo acusou a al Qaeda e pessoas leais ao partido do ex-ditador Saddam Hussein, o Baath, que foi banido da política local.

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