Ministro iraniano vai à Rússia atrás de mísseis, diz imprensa

MOSCOU (Reuters) - O ministro da Defesa do Irã, Mostafa Mohammad Najjar, tentará convencer os russos na terça-feira a venderem sistemas antiaéreos que ajudariam Teerã a repelir eventuais ataques de Israel e dos EUA, segundo a imprensa russa. O Irã há muito demonstra interesse pelos mísseis antiaéreos de médio alcance S-300, mas Israel tenta convencer a Rússia a não vendê-lo para a República Islâmica.

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Najjar encontrou-se com o ministro russo da Defesa, Anatoly Serdyukov, em Moscou na terça-feira.

"Eu espero que essa visita leve a um aprimoramento das relações de nossos dois países em todas as áreas, incluindo a esfera da cooperação militar", disse Najar segundo um comunicado divulgado pela embaixada iraniana em Moscou.

O jornal russo Kommersant disse que Najjar usará a visita para tentar superar a extrema relutância russa em entregar o sistema de defesa. A Rússia nega repetidamente a intenção de vender os S-300 a Teerã.

O Kommersant disse que um contrato de 800 milhões de dólares para cinco sistemas S-300 já foi assinado entre Irã e Rússia. No entanto, o jornal afirmou, citando uma fonte do setor armamentista russo, que Moscou ainda não se decidiu a efetivamente entregá-lo.

Um parlamentar iraniano disse em 2008 que a entrega já havia começado, e parte da imprensa russa informou que Moscou está cumprindo o contrato relativo aos S-300.

O Ocidente acusa o Irã de tentar desenvolver armas nucleares e as respectivas ogivas. Teerã nega, dizendo que seu programa atômico se destina exclusivamente à geração de eletricidade com fins civis.

Os EUA, empenhados em conter o programa nuclear iraniano, já sinalizaram que buscam mais colaboração da Rússia nesse sentido, o que abriria caminho para a resolução de vários outros atritos entre Washington e Moscou.

Uma importante fonte oficial norte-americana disse neste mês à Reuters que, se a Rússia se empenhasse em conter o programa nuclear do Irã, os EUA poderiam desacelerar a implantação de um escudo antimísseis no Leste Europeu, que é motivo de preocupação para Moscou.

O governo de Barack Obama, que tomou posse há quase um mês, diz que os EUA estão preparados para conversar com o Irã, o que esvaziou as especulações sobre um ataque preventivo ao país, que parecia mais provável no governo de George W. Bush.

A Rússia diz não ter evidências de que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, e Moscou alerta que encurralar Teerã seria contraproducente.

A Rússia está construindo a primeira usina nuclear iraniana na cidade de Bushehr (sul), e diz que o reator da usina começará a funcionar neste ano.

Em outubro, a chancelaria russa negou especulações da mídia de que Moscou venderia os S-300, alegando que não tinha intenção de entregar armas a "regiões perturbadas".

A versão mais avançada do sistema S-300 pode localizar e abater alvos que estejam voando a 120 quilômetros de distância. Ela é conhecida no Ocidente como SA-20.

(Reportagem de Guy Faulconbridge)

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