Ministro francês defende deportação de ciganos romenos

Governo diz que França é o país europeu que "mais respeita os direitos dos estrangeiros", enquanto 70 deportados chegam à Romênia

iG São Paulo |

O ministro da Imigração da França, Eric Besson, defendeu nesta quinta-feira a decisão do governo de deportar 93 ciganos romenos para Bucareste, medida que foi criticada por outros países e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

"A França é o país da Europa que mais respeita os direitos dos estrangeiros, particularmente os que estão em situação irregular. Por isso, não temos lições a aprender", afirmou o ministro em entrevista ao canal de televisão France 2. "Ano passado, emitimos 170 mil vistos de permanência. Nós nos tornamos o segundo país do mundo, depois dos Estados Unidos, em matéria de asilo, ficando à frente do Canadá", garantiu.

Nesta quinta-feira, 70 ciganos romenos deportados pela França chegaram a Bucareste a bordo de dois voos comerciais procedentes de Paris e Lyon. O número foi menor do que os 93 deportados anunciados pela França porque 23 pessoas não se apresentaram nos aeroportos franceses. Para sexta-feira, está prevista a chegada de 132 emigrantes à cidade romena de Timisoara, enquanto outras 160 pessoas serão repatriadas até setembro.

Reuters
Cigana romena fuma depois de desembarcar em Bucareste vinda da França

A França prevê a repatriação, antes do fim do mês, de 700 ciganos em situação irregular para Romênia e Bulgária no âmbito do plano de retorno voluntário a seus países de origem, uma decisão que acentua a polêmica pela política de segurança do governo.

Os deportados foram acolhidos por um programa de ajuda para retorno, que consiste em uma passagem de avião e 300 euros por adulto ou 100 euros por criança. Por causa isso, o governo francês diz que essas são deportações "voluntárias" de imigrantes em situação irregular.

No entanto, as críticas se multiplicam perante a ofensiva lançada pelas autoridades contra os ciganos, cujos acampamentos são desmantelados por todo o país. Recentemente, Sarkozy ordenou ao Ministério do Interior esvaziar e destruir no prazo de três meses a metade das instalações nas quais os ciganos vivem no país.

Em menos de um mês, já foram desmantelalos mais de 50 acampamentos, o último na manhã desta quinta-feira em Isère, sudeste da França. A administração regional divulgou um comunicado informando que foram retirados 100 ciganos em uma operação que "responde às instruções" do ministro do Interior.

Em 2009, 44 voos desse tipo foram organizados e 10 mil romenos e búlgaros foram levados a seus países, segundo as autoridades francesas que reconhecem, no entanto, que as pessoas expulsas, membros da União Europeia (UE), podem voltar à França sem visto e permanecer três meses sem justificação.

Fazem parte da comunidade cigana na França 400 mil pessoas, 95% delas francesas. O restante é formado por ciganos de origem búlgara, romena e de outros países dos Bálcãs, cujo número aumenta constantemente, segundo o governo. Calcula-se que haja 15 mil ciganos em situção irregular na França.

Críticas à medida

A ONU criticou severamente a França por estabelecer uma relação entre imigração e insegurança. Na França, o governo de direita foi acusado pela esquerda de promover um "racismo de Estado".

A Comissão Europeia afirmou na quarta-feira que está acompanhando atentamente a polêmica repatriação de ciganos romenos e búlgaros, aconselhando o governo francês a respeitar as regras sobre a proteção dos cidadãos europeus.

Romênia e Bulgária, de onde são oriundos os 700 ciganos passíveis de repatriação, tornaram-se membros da União Europeia em 1º de janeiro de 2007.

Apesar de posições contraditórias, o governo está convencido de que todo esse tema fortalece Sarkozy frente às eleições presidenciais de 2012, após o escândalo político-financeiro dos últimos meses, protagonizado pelo ministro do Trabalho Eric Woerth e a mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt.

Com EFE e AFP

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