Ministro escocês defende libertação de condenado por Lockerbie

Por Ian Mackenzie EDIMBURGO (Reuters) - O ministro escocês da Justiça defendeu na segunda-feira a libertação por razões humanitárias do único condenado pelo atentado aéreo sobre a cidade de Lockerbie, uma decisão que recebeu duras críticas do governo dos EUA e de parentes de vítimas norte-americanas daquela explosão.

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Falando numa sessão de emergência do Parlamento escocês, Kenny MacAskill rejeitou insinuações de adversários de que teria cedido a pressões políticas ou econômicas. No entanto, ele criticou a Líbia por ter recebido com festa Abdel Basset Al Megrahi, que tem câncer em estágio terminal.

"Uma decisão tinha de ser tomada", disse MacAskill ao plenário lotado. "Ela se baseou na lei da Escócia, e nos valores que acredito que buscamos preservar. Não se baseou em considerações políticas, diplomáticas ou econômicas."

Megrahi, de 57 anos, foi a única pessoa condenada pela explosão de um avião da Pan Am na rota Londres-Nova York, em 1988, que matou 270 pessoas, sendo 189 norte-americanos.

O governo britânico negou que tenha buscado a libertação de Megrahi para melhorar as relações políticas e comerciais com a Líbia, que tem as maiores reservas de petróleo da África. Duas grandes empresas britânicas do setor, BP e Royal Dutch Shell, têm contratos de exploração de petróleo assinados com o governo de Trípoli.

Críticos dizem que o governo britânico permitiu que as autoridades da Escócia, que tem poderes autônomos para tomar essa decisão, assumissem a culpa pela libertação, sem que Londres precisasse explicitar sua posição.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, cujo Partido Trabalhista foi derrotado pelo Partido Nacional Escocês nas eleições locais de 2007, não se manifestou sobre a decisão. Seu porta-voz disse que a decisão era um atributo do governo autônomo regional.

Megrahi desembarcou na quinta-feira em Trípoli, onde foi recepcionado por mais de mil pessoas que agitavam bandeiras líbias e escocesas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, qualificou como "repugnante" a recepção dada ao ex-agente do governo líbio, mas um porta-voz afirmou que nada mudou nas relações entre Washington e Trípoli, que nos últimos anos vivem uma fase de reaproximação. O diretor do FBI, Robert Mueller, afirmou que a libertação dele "zomba do estado de direito (e) dá conforto a terroristas."

Críticos da decisão criaram um site estimulando um boicote à Escócia. Turistas dos EUA formam o maior número de visitantes estrangeiros naquela região do norte da Grã-Bretanha, e também os que mais gastam --cerca de 424 milhões de dólares por ano.

(Reportagem adicional de Peter Griffiths em Londres e Patricia Zengerle em Martha's Vineyard, Massachusetts)

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