Ministro do Trabalho francês vai prestar depoimento sobre L'Oréal

Eric Woerth será interrogado sobre um possível financiamento político ilegal com o dinheiro de herdeira do grupo L'Oréal

AFP |

O governo francês autorizou nesta quarta-feira a seu ministro do Trabalho, Eric Woerth, que preste depoimento à polícia à pedido da promotoria, dentro do caso vinculado à herdeira do grupo L'Oréal, indicou uma fonte governamental.

Woerth deve ser interrogado pela polícia em breve por causa das gravações clandestinas entre a multimilionária francesa Liliane Bettencourt e seus assessores.

A promotoria de Nanterre (periferia de Paris) pediu na terça-feira ao conselho de ministros que autorizasse a intimação de Woerth dentro das investigações sobre essas gravações clandestinas realizada pelo modormo da mulher mais rica da França, que transformaram um assunto jurídico-familiar num caso de Estado.

O ministro será interrogado sobre um possível financiamento político ilegal com o dinheiro de Bettencourt, suspeita de tráfico de influência para que sua esposa fosse contratada em 2007 pela emprega que gerencia a fortuna de Bettencourt, e por um caso de "conflito de interesses". Esse último se refere ao tratamento fiscal dispensado a Bettencourt, terceira fortuna da França, suspeita de evasão fiscal.

Caso L'Oréal

O caso que movimenta a imprensa francesa há um mês começou com uma disputa familiar na Justiça. A filha de Liliane Bettencourt, Françoise Bettencourt-Meyers, acusa na Justiça o fotógrafo François-Marie Banier de ter abusado da suposta fragilidade psicológica de sua mãe octogenária para extorquir 1 bilhão de euros em dinheiro, obras de arte e propriedades, além de contratos de seguro de vida.

Mas as revelações na imprensa das gravações clandestinas realizadas pelo ex-mordomo da herdeira da L’Oréal, que foram anexadas ao processo movido pela filha para comprovar a suposta fragilidade da mãe, transformaram o caso em um grande escândalo político, com desdobramentos diários no último mês.

As gravações sugerem que a bilionária teria realizado evasão fiscal e envolvem o ministro do Trabalho, Eric Woerth, também tesoureiro do partido do governo, UMP, até o final deste mês.

Ele é acusado de tráfico de influência, já que sua mulher trabalhava até junho passado na empresa Clymène, que administra a fortuna de Bettencourt. Woerth também teria feito vista grossa à suposta evasão fiscal da herdeira, além de ter recebido doações ilegais de Bettencourt para campanhas políticas, inclusive para a do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em 2007.

Três inquéritos foram instaurados pela Procuradoria de Nanterre, cidade nos arredores de Paris, responsável pelas investigações.

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