Ministro do Irã rejeita envio de urânio do país ao exterior

O ministro do Exterior do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou nesta quarta-feira que seu país não aceitará a oferta de enviar o urânio para ser enriquecido na Rússia e depois ser devolvido ao país para uso como combustível em um reator iraniano. A ideia faz parte de uma proposta apresentada no mês passado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), com o apoio dos principais países do Ocidente, com o objetivo de superar o impasse em torno do programa nuclear iraniano.

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"Certamente nós não iremos enviar nosso combustível a 3,5% (de enriquecimento) ao exterior", disse o chanceler. Segundo os termos do acordo, cerca de 70% urânio iraniano, com baixo grau de enriquecimento, seria enviado à Rússia.

No entanto, Mottaki afirmou que o Irã poderia considerar um acordo que estabelecesse uma troca simultânea de todo seu urânio de uma vez por varetas de combustível nuclear, a ser realizada dentro de seu próprio território.

O ministro acrescentou que o governo de seu país também está pronto para novas negociações.

De acordo com o repórter especializado em temas iranianos da BBC Jon Leyne, é pouco provável que esta proposta seja aceita pelos países que estão negociando com o Irã.

Sem acordo

Segundo Leyne, devido às mensagens desencontradas que o governo iraniano tem enviado ultimamente, os negociadores dos países ocidentais e da Rússia já não tem mais esperanças de um acordo.

O ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, afirmou está decepcionado. "Há uma resposta clara e negativa dos iranianos", disse.

A proposta original da AIEA prevê o enriquecimento do urânio na Rússia, que seria então enviado para a França, onde seriam feitas as varetas que possibilitam que o material seja usado como combustível nuclear.

O urânio seria então devolvido ao Irã para uso em uma usina de pesquisas em Teerã.

Este processo evitaria que o Irã enriquecesse urânio da forma necessária para a fabricação de uma bomba nuclear.

Tal possibilidade preocupa inúmeros países - entre eles Estados Unidos e Israel, inimigo do Irã no Oriente Médio - e está na raiz da pressão internacional para que o Irã paralise seu programa nuclear ou aceite a proposta a AIEA.

Mas, de acordo com o correspondente da BBC, muitos nomes influentes do Irã não enxergam com bons olhos o possível envio do urânio iraniano para outros países.

Leyne disse também que agora há dúvidas sobre se o governo iraniano tem a autoridade necessária dentro do próprio país para aplicar um acordo que venha a ser fechado durante as negociações.


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