Ministro do caso L'Oréal deixará tesouraria de partido de Sarkozy

Decisão é tomada um dia depois de líder francês sugerir que gostaria que titular da pasta do Trabalho deixasse cargo na UMP

AFP |

O ministro francês do Trabalho e ex-ministro do Orçamento, Eric Woerth, acusado de conflito de interesses em relação a uma suposta fraude fiscal e financiamento eleitoral ilegal, anunciou nesta terça-feira que deixará de ser tesoureiro da União para o Movimento Popular (UMP, direita), partido no poder na França.

"Sim, farei isso. Estudarei o calendário para fazer isso", declarou Woerth na saída do conselho de ministros ao ser indagado sobre o cargo de tesoureiro da UMP, que exerce há oito anos.A declaração foi feita um dia depois de o presidente Nicolas Sarkozy ter indicado, em entrevista em rede nacional, que gostaria que o titular da pasta do Trabalho deixasse a tesouraria do partido.

Woerth, também tesoureiro da campanha eleitoral do presidente Nicolas Sarkozy em 2007, foi acusado pela ex-contadora da herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, a terceira fortuna da França, de ter recebido 150 mil euros em espécie em março daquele ano destinados à campanha de Sarkozy, o que constituiria um financiamento ilegal de um partido político.

Além disso, o nome do ministro e de sua esposa apareceram em gravações clandestinas feitas pelo mordomo de Bettencourt envolvendo-o em sonegação de impostos.

Na entrevista em rede nacional, apesar de sugerir a saída de Woerth do cargo no partido, Sarkozy reafirmou seu apoio ao ministro e negou com veemência ter recebido ele próprio dinheiro da mulher mais rica da França. "Woerth é um homem profundamente honesto que vem sofrendo calúnias e mentiras", declarou no canal France 2, durante a primeira intervenção pública sobre o assunto que vem desestabilizando seu governo.

"Ele será o ministro encarregado da reforma tão necessária do sistema de aposentadorias", um texto básico da segunda parte de seu mandato, disse o presidente francês. Essa reforma - que deve estabelecer a idade mínima de 62 anos, em vez de 60 - será apresentada nesta terça-feira no Conselho de Ministros, devendo ser votada pelo Parlamento até o final de outubro.

O pronunciamento de Nicolas Sarkozy foi feito no dia seguinte da publicação de um relatório administrativo sobre o dossiê fiscal de Liliane Bettencourt, segundo o qual Woerth não acobertou possíveis fraudes quando era ministro do Orçamento (2007-março 2010).

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