Ministro diz que Governo da RDC não negociará com rebeldes do CNDP

Kinshasa, 3 nov (EFE).- O Governo da República Democrática do Congo (RDC) não negociará diretamente com os rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), liderado por Laurent Nkunda, afirmou hoje o ministro das Comunicações Lambert Mende em uma entrevista à emissora de rádio da ONU.

EFE |

"O Governo não pode fazer discriminação entre grupos armados congoleses. O Governo é o Governo da República e estes grupos armados são grupos armados nacionais, como o CNDP", declarou o ministro, com o que rejeitava a reiterada reivindicação de Nkunda de estabelecer negociações diretas com o Governo de Kinshasa.

Além do grupo rebelde tutsi CNDP, na RDC existem outros grupos guerrilheiros, alguns deles da etnia hutu e ligados ao genocídio de Ruanda de 1994, no qual foram assassinados em cem dias cerca de 800.000 tutsis e hutus moderados.

Para Mende, "negociar diretamente com o CNDP seria dar a ele privilégios sobre os outros grupos e inclusive atentar contra a Constituição que o Governo deve proteger".

O ministro chamou de "irresponsáveis e infantis" as ameaças de Nkunda de derrubar o Governo do presidente Joseph Kabila e afirmou: "Não chegou a controlar Goma e pretende assumir o Governo da RDC de um território de dois milhões de quilômetros quadrados. É ridículo".

Em inúmeras ocasiões o Governo de Kinshasa se negou categoricamente a negociar com Nkunda, enquanto repetia que atuará no marco dos acordos de paz e para o desarmamento assinados em novembro e janeiro.

Ontem, em sua base de Kichanga, no norte da RDC, Nkunda afirmou que a CNDP deseja uma negociação direta com o Governo e declarou: "Vamos obrigá-los a negociar, senão vamos tirá-los do poder".

Nkunda afirmou que suas tropas ficaram na última quarta às portas de Goma, capital do Kivu Norte, ao declararem um cessar-fogo unilateral após terem tomado a maior parte da província em menos de uma semana e terem colocado em fuga as tropas governamentais.

Por outro lado, a Nigéria se uniu hoje ao Senegal e à Tanzânia para pedir uma cúpula urgente da União Africana (UA) dedicada ao conflito armado no leste da RDC, que levou mais de 200.000 pessoas a abandonarem suas casas nos últimos dez dias no Kivu Norte.

O ministro de Assuntos Exteriores da Nigéria, Ojo Maduekwe, declarou que Nairóbi receberia a cúpula, também apoiada pela ONU e pela União Européia, mas para a qual ainda não existe uma data. EFE py/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG