SÃO PAULO - O ministro do Meio Ambiente da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, pediu nesta quinta-feira, em São Paulo, um esforço maior dos países desenvolvidos e emergentes rumo a um novo acordo que sirva de alternativa ao Protocolo de Kyoto.


Em entrevista coletiva na Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde se reuniu com empresários brasileiros, Poulsen avaliou a contribuição do Brasil nas "duras negociações" para alcançar um acordo global sobre as mudanças climáticas e que permita a redução de entre 25% e 40% na emissão de gases.

Na qualidade de ministro anfitrião, Poulsen estará à frente da conferência da ONU sobre mudança climática, que será realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro em Copenhague.

Durante o encontro, os 184 países signatários do Protocolo de Kyoto buscarão adotar um novo acordo que estabeleça outros limites nas emissões dos gases causadores do aquecimento global, assim como estratégias até 2020 para a adaptação a este fenômeno.

O acordo vigente vence em 2012 e não alcançará as metas propostas em 1997 para o período 2008-2012.

Para Poulsen, a transferência de tecnologia dos países desenvolvidos às nações emergentes pode ser um dos aspectos para que o continente africano, por exemplo, possa alcançar as metas propostas sobre redução de gases e evitar o efeito estufa.

Na reunião com empresários brasileiros, segundo Poulsen, se falou sobre a participação dinamarquesa na cooperação tecnológica para que o Brasil continue com sua linha de desenvolvimento em áreas como biocombustíveis, biomassa e exploração petrolífera na camada pré-sal com políticas "ecologicamente corretas".

A discussão sobre créditos de carbono, que estava na agenda do encontro, não foi abordada durante a reunião, explicou o ministro dinamarquês.

Poulsen também aproveitou para defender a necessidade de aumentar o comércio entre os dois países.

"O Brasil vai se consolidar como o maior produtor e exportador de alimentos do mundo e, nesse sentido, a Dinamarca pode oferecer a tecnologia para otimizar recursos naturais" como a água e a energia utilizados para essa produção, disse o ministro.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 320 milhões para a Dinamarca e importou US$ 450 milhões do país escandinavo.

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