Ministro defende atuação de polícia em massacre na Noruega

Frente às críticas sobre a reação lenta a ataque na Ilha de Utoya, titular da Justiça caracteriza trabalho policial de fantástico

iG São Paulo |

Reuters
Norueguês Anders Behring Breivik, homem acusado pelo massacre na Noruega, é visto dentro de veículo ao deixar corte onde teve sua primeira audiência em Oslo (25/07)
Frente às críticas de que agentes teriam demorado muito a reagir ao massacre na Ilha de Utoya, o ministro norueguês da Justiça, Knut Storberget, caracterizou nesta terça-feira como "fantástico" o trabalho da polícia na reação ao ataque duplo de sexta-feira. "São pessoas que trabalharam muito mais do que se poderia esperar de qualquer um. Pessoas que interromperam férias e participaram voluntariamente em toda Noruega", afirmou o ministro.

Depois de se reunir com a direção das forças de segurança, Storberget não descartou, no entanto, a possibilidade de se produzir uma investigação posterior sobre a atuação policial. "É muito importante termos uma abordagem aberta e crítica, mas há um tempo para tudo", disse, referindo-se ao questionamento, principalmente da imprensa, sobre a demora na reação policial.

Uma equipe armada da Swat levou mais de uma hora para chegar à ilha de Utoya, onde o atirador disparou por 90 minutos . Além disso, há relatos de que a polícia desdenhou das primeiras chamadas de emergência desde o acampamento e não dirigiu-se à ilha de helicóptero, mas de carro e depois de barca, o que atrasou a detenção de Breivik e agravou a tragédia.

Storberget também negou que a polícia tenha ignorado as ameaças representadas por fanáticos de direita na Noruega. "Rejeito as insinuações de que não colocamos a ultradireita sob o microscópio", disse. Muitos noruegueses parecem concordar que a polícia não merece ser reprovada por sua reação. Em uma marcha com mais de 100 mil em Oslo , na segunda-feira à noite, as pessoas aplaudiram as equipes de resgate.

Nesta terça-feira, a polícia começou a divulgar o número de mortos e voltou a ser questionada sobre sua reação aos ataques.

Acusações contra extremista

A polícia norueguesa estuda a possibilidade de acusar o autor dos ataques de 22 de julho de crimes contra a humanidade , afirmou o promotor da polícia norueguesa, Christian Hatlo, ao jornal VG. O atentado duplo com carro-bomba contra Oslo e a tiros na Ilha de Utoya é considerado o maior massacre da história da Noruega desde a Segunda Guerra Mundial .

Na primeira audiência sobre o caso na segunda-feira, o juiz Kim Heger indiciou o acusado por atos de terrorismo , anunciando que o extremista ficará sob custódia por oito semanas, das quais quatro em total isolamento. Por essa acusação, segundo a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. Essa sentença poderia, no entanto, ser estendida se o condenado for considerado perigoso para a sociedade.

Se for apresentada a acusação de crimes contra a humanidade, que faz parte do Código Penal da Noruega desde 2008 e incluiria perseguição de um grupo com base em conceitos políticos, a pena máxima pode ser de 30 anos de prisão.

De acordo com o jornal Aftenposten, Hatlo afirmou que, por enquanto, a ideia trata-se apenas de uma possibilidade. "Por enquanto a polícia se referiu ao parágrafo do código relativo ao terrorismo, mas não descarta se valer de outras disposições da lei", disse à AFP um porta-voz. No entanto, "não foi tomada ainda nenhuma decisão definitiva", afirmou.

Ao VG, Hatlo também reiterou que a polícia está investigando a possibilidade de o ultradireitista Anders Behring Breivik, autor confesso do duplo atentado, não ter agido sozinho . A ideia baseia-se nas próprias declarações do acusado e de algumas testemunhas da tragédia na ilha, que terminou com 68 mortos, segundo um número revisto pela polícia .

Em sua primeira audiência judicial, na segunda-feira, Breivik disse haver outras duas células militantes em sua rede terrorista. Sem dar detalhes, o juiz Kim Heger, que presidiu a sessão, informou que o extremista havia feito essa alegação durante seu depoimento. Nesta terça-feira, o advogado Geir Lippestad disse que seu cliente acredita estar em "estado de guerra" e disse " fazer parte de uma rede anti-islâmica que tem duas células na Noruega e algumas outras no exterior". Para Lippestad, Breivik provavelmente é insano.

Segundo o promotor, há realmente uma "espécie de rede" na Noruega e em outros países europeus sustentada pela ideologia ultradireitista e a islamofobia. Ele, porém, disse que por enquanto as forças de segurança não conseguiram traçar uma conexão entre o detido e outros indivíduos. Apesar disso, não desconsideram que ele possa ter contato com ajuda para lançar os atentados.

Hatlo também confirmou que "várias testemunhas" relataram "de maneira convincente" que havia pelo menos duas pessoas disparando contra os presentes, em sua maioria adolescentes e jovens, no acampamento da ala juvenil do governista Partido Trabalhista da Ilha de Utoeya.

*Com Reuters, EFE e AFP

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