Ministro de Israel assume responsabilidade por ataque à frota

Declaração de titular da Defesa é feita durante inquérito que investiga ataque de maio à frota que levava ajuda à Faixa de Gaza

iG São Paulo |

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, assumiu nesta terça-feira perante a Comissão Turkel, encarregada de investigar o ataque que deixou nove ativistas turcos mortos em 31 de maio , toda a responsabilidade pelas ordens dadas para o ataque à frota humanitária que se destinava à Faixa de Gaza.

AP
Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak (à esq.), durante encontro com premiê palestino Salam Fayyad em Jerusalém em julho
Barak compareceu nesta terça perante a comissão que investiga o ataque, um dia depois do comparecimento do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu , que atraiu uma onda de críticas ao declarar que estava viajando no dia da ação e que o titular de Defesa e o Exército eram os responsáveis pelos "aspectos técnicos" da operação, informou o serviço de notícias "Ynet".

Em seu depoimento nesta terça-feira, Barak contradisse Netanyahu ao afirmar que o governo israelense estudou os aspectos operacionais do ataque. "A decisão de parar a frota, pelo primeiro-ministro e pelo gabinete de sete ministros, foi tomada depois de estudar toda a situação e suas implicações", afirmou.

Após as reprovações às declarações de Netanyahu, seu escritório se viu obrigado a divulgar um comunicado no qual admitia que "a responsabilidade é sempre minha, esteja em Israel ou não".

À comissão, Barak justificou o ataque à frota afirmando que ela era uma "provocação planejada" sob pretextos humanitários. "Essa frota enviada em 31 de maio constituía uma provocação planejada", disse.

"Os ministros israelenses discutiram diversas alternativas, levando em consideração a possibilidade de que os ativistas tentassem impedir a descida das tropas e que (as tropas) se vissem expulsas e obrigadas a abrir fogo", destacou Barak. O ministro também justificou o bloqueio do território palestino, "essencial para impedir que Gaza se transforme em um enorme arsenal".

A chamada Comissão Turkel foi criada em meados de junho para investigar os fatos de 31 de maio, quando comandos de elite israelenses interceptaram em águas internacionais seis navios de uma frota com ajuda humanitária que pretendia romper o bloqueio marítimo ao território palestino.

Nove ativistas morreram durante a abordagem militar ao navio turco Mavi Marmara, que transportava centenas de pessoas, algumas das quais atacaram com paus os soldados que desceram ao navio por meio de helicópteros.

Investigação paralela da ONU

Israel estabeleceu a comissão de investigação por causa das pressões internacionais e pelas duras críticas que se seguiram à operação, que também levaram à suavização do bloqueio que o país mantém desde meados de 2007 sobre a faixa territorial palestina.

Na semana passada, Israel anunciou que colaborará também com uma investigação impulsionada pelo secretário-geral da ONU , Ban Ki-moon, liderada pelo ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia Geoffrey Palmer e pelo ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe.

Israel, porém, disse que não cooperará com o grupo de especialistas da ONU, que deve iniciar nesta terça-feira seus trabalhos, se o painel exigir que militares envolvidos no episódio sejam interrogados. "O primeiro-ministro comunicou claramente que se negará a cooperar e a participar em uma comissão que peça para interrogar soldados", indicou Nir Hefetz, porta-voz de Netanyahu, em declarações à rádio militar.

"Antes que Israel anuncie sua participação nessa comissão, asseguramos em intensas negociações nos bastidores que ela será equitativa, responsável e não atentará contra os interesses vitais e a segurança de Israel", acrescentou.

A afirmação do porta-voz, no entanto, contradiz as declarações do secretário-geral da ONU, que havia desmentido um acordo prévio para evitar o interrogatório de militares pelo painel de especialistas. "Não, nenhum acordo assim foi assinado nos bastidores", disse Ban, respondendo a uma pergunta sobre a credibilidade do grupo de trabalho da ONU, que tem entre seus membros um turco e um israelense.

*Com EFE e AFP

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