Segundo imprensa local, chanceler deixa o cargo por diferenças com governo; atual embaixador do país nos EUA assume

Jorge Taiana, em foto de maio
Reuters
Jorge Taiana, em foto de maio
O chanceler da Argentina, Jorge Taiana, apresentou sua renúncia à presidente Cristina Kirchner nesta sexta-feira. De acordo com a imprensa local, a decisão foi motivada por "diferenças irreconciliáveis" com o governo.

Aníbal Fernández, chefe do gabinete da presidência, afirmou que a renúncia se deve a "razões estritamente pessoais" do ministro.

Em comunicado, Taiana classificou a renúncia de "indeclinável" e disse que a decisão foi tomada após uma conversa com Cristina Kirchner.

Fontes próximas ao ministro afirmaram que o argentino não contava com apoio para implementar "decisões políticas que afetam o desenvolvimento da Política Externa da Argentina".

O jornalista Gustavo Sylvestre, da emissora de televisão TN (Todo Noticias), disse que Cristina Kirchner e Taiana teriam tido uma "forte discussão" nesta sexta-feira, antes do pedido de demissão.

A mesma emissora disse que a presidente teria reprovado o vazamento de informações de que Argentina e Uruguai planejariam pedir ajuda ao governo brasileiro no caso de uma fábrica de celulose na fronteira, que é motivo de discórdia entre Montevidéu e Buenos Aires há mais de quatro anos.

Além disso, outros fatores - como uma viagem que foi recentemente cancelada por Kirchner à China e alegações de que funcionaria em Caracas uma "embaixada paralela", ligada à presidência e não à chancelaria - também teriam contribuído para uma suposta insatisfação de Taiana.

"A relação começou a desgastar quando a presidente disse, publicamente, que tinha chegado atrasada por culpa dele à reunião do Mercosul, no Paraguai (em julho de 2009). Mas várias visões diferentes sobre política externa foram se somando. Pode-se dizer que Venezuela também (foi um fator), mas não foi algo especifico e sim um conjunto", disse um dos assessores de Taiana à BBC Brasil.

Segundo ele, não foi pelo vazamento de informação de que se pediria ajuda ao Brasil que Taiana renunciou.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Alfredo Atanasoff, disse que foi "surpreendido" com a renúncia.

"Fomos todos surpreendidos com essa notícia. Percebíamos vários itens que geravam tensão na política externa argentina com a China e com Estados Unidos, mas não esperávamos pela saída dele", disse Atanasoff.

Taiana assumiu o posto em 1º de dezembro de 2005. Antes, em 25 de maio de 2003, o então presidente Néstor Kirchner, que governou até 2007, o havia designado a vice-chanceler. Logo que assumiu o comando da Argentina, em dezembro de 2007, Cristina o ratificou no cargo.

Sociólogo, militante político e defensor dos direitos humanos desde a sua juventude, Taiana esteve preso pela ditadura militar entre 1975 e 1982. Agora, será substituído por Héctor Timerman, atual embaixador argentino nos Estados Unidos.

Com Ansa, BBC e AFP

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