Ministro das finanças russo vai renunciar se Medvedev for premiê

Aliado de Putin e com ambições políticas, Alexei Kudrin diz ter divergências sobre economia com atual presidente da Rússia

iG São Paulo |

AP
Medvedev abraça Putin (de costas) durante evento que anunciou o último como próximo candidato à presidência (24/09)
O ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, disse que vai renunciar ao cargo se o atual presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, se tornar o próximo primeiro-ministro do país. No sábado, o atual premiê Vladimir Putin afirmou que concorrerá à presidência em 2012 e propôs Medvedev como seu substituto.

“Não me vejo no novo governo, não apenas porque não me ofereceram a vaga ainda. Acho que as diferenças de opinião que tenho (com Medvedev) não me permitiram participar", afirmou Kudrin em Washington, citando os planos do líder russo de aumentar gastos militares.

Ministro das Finanças desde 2000 e famoso por políticas fiscais conservadoras, Kudrin vinha sendo cotado como um possível nome para o cargo de premiê caso Putin voltasse a ser presidente.

A porta-voz de Medvedev, Natalya Timakova, disse ser muito cedo para discutir a composição do próximo governo.

“O presidente Medvedev e o primeiro-ministro Putin partem do princípio de que todas as autoridades federais continuarão desempenhando suas funções”, afirmou. “Se alguém tem outra ideia, deve estar pronto para mudar de área.”

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse que o ministro nunca escondeu divergências com as políticas econômicas do premiê ou do presidente. “Ele é um economista profissional, com letra maiúscula”, definiu.

Putin foi presidente da Rússia entre 2000 e 2008, quando o limite de mandato previsto pela Constituição o forçou a deixar o cargo. Como premiê, manteve-se em evidência e ofuscou Medvedev, escolhido por ele como sucessor.

Durante um congresso do partido Rússia Unida neste sábado, Medvedev disse que "seria correto" que os integrantes apoiassem a candidatura de Putin. A legenda aprovou a proposta, assim como a proposta feita em seguida por Putin para que Medvedev assuma o cargo de primeiro-ministro.

Apesar do crescente descontentamento da população com o Rússia Unida, o partido exerce influência tão grande sob a política russa que a eleição de Putin e a passagem de Medvedev para o cargo de premiê são praticamente certas.

Além de a oposição ser amplamente marginalizada, a popularidade pessoal de Putin é imensa entre russos que o veem como uma figura forte e necessária para um país atormentado por corrupção, insurgentes islâmicos e desigualdade social.

Mas a mão dura com a qual governou a Rússia fez com que Putin fosse criticado por países ocidentais que o viram como um retrocesso para a democracia.

Como uma mudança constitucional estendeu o mandato presidencial russo de quatro para seis anos, Putin tem a chance de ficar até 12 anos do poder caso vença a eleição de 2012 e busque a reeleição.

Ainda não está claro qual será o candidato da oposição na eleição presidencial, que ainda não tem data marcada. Em 4 de dezembro haverá uma eleição Parlamentar na qual o Rússia Unida tentará manter-se dominante. Hoje, o partido tem 312 das 450 cadeiras do Parlamento.

Com Reuters e AP

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