Ministro das Finanças russo renuncia após ultimato de Medvedev

Presidente da Rússia pediu renúncia de Alexei Kudrin por ter criticado sua política econômica e sua possível nomeação como premiê

iG São Paulo |

O ministro das Finanças da Rússia, Alexei Kudrin, renunciou ao cargo nesta segunda-feira após receber um ultimado do presidente do país, Dmitri Medvedev. O líder pediu que Kudrin renunciasse após ter declarado sua intenção de deixar o ministério caso o presidente se torne primeiro-ministro em 2012. A nomeação de Medvedev foi proposta pelo atual premiê, Vladimir Putin, que concorrerá à presidência .

Segundo agências de notícias russas, Medvedev reagiu com raiva aos comentários “impróprios” de Kudrin e lhe deu um ultimato durante uma reunião com outras autoridades na cidade de Volgograd.

“Ninguém revogou a disciplina e a subordinação”, afirmou Medvedev, segundo as agências. “Se você discorda do curso seguido pelo presidente, só há uma ação possível e você sabe qual é: renunciar. É a proposta que faço a você.”

Reuters
O ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin (ao fundo), participa de reunião com o presidente Dmitri Medvedev

O ministro fez os comentários em Washington, um dia pós Putin ter anunciado que concorrerá à presidência em 2012 e propôr a troca de cargos com Medvedev.

“Não me vejo no novo governo, não apenas porque não me ofereceram a vaga ainda. Acho que as diferenças de opinião que tenho (com Medvedev) não me permitiram participar", afirmou Kudrin, citando os planos do líder russo de aumentar gastos militares.

Ministro das Finanças desde 2000 e famoso por políticas fiscais conservadoras, Kudrin vinha sendo cotado como um possível nome para o cargo de premiê caso Putin voltasse ao cargo de presidente, que ocupou entre 2000 e 2008.

O limite de mandato previsto pela Constituição forçou Putin a deixar o cargo, mas como premiê ele conseguiu permanecer em evidência e ofuscou Medvedev, escolhido por ele como sucessor.

Apesar do crescente descontentamento da população com o partido de ambos, o Rússia Unida, sua influência sob a política russa é tão grande que a eleição de Putin e a passagem de Medvedev para o cargo de premiê são praticamente certas. Além de a oposição ser amplamente marginalizada, a popularidade pessoal de Putin é imensa entre russos que o veem como uma figura forte e necessária para um país atormentado por corrupção, insurgentes islâmicos e desigualdade social.

Mas a mão dura com a qual governou a Rússia fez com que Putin fosse criticado por países ocidentais que o viram como um retrocesso para a democracia.

Como uma mudança constitucional estendeu o mandato presidencial russo de quatro para seis anos, Putin tem a chance de ficar até 12 anos do poder caso vença a eleição de 2012 e busque a reeleição.

Ainda não está claro qual será o candidato da oposição na eleição presidencial, que ainda não tem data marcada. Em 4 de dezembro haverá uma eleição Parlamentar na qual o Rússia Unida tentará manter-se dominante. Hoje, o partido tem 312 das 450 cadeiras do Parlamento.

Gorbachev

Também nesta segunda-feira, o último dirigente soviético Mikhail Gorbachev afirmou que a Rússia corre o risco de perder seis anos se Putin voltar à presidência em 2012.

"Podemos contar com que não exista progresso algum no futuro caso não aconteçam importantes mudanças no conjunto do sistema político", escreveu Gorbachev no jornal Novaia Gazeta, do qual é acionista.

"Me parece que sem isto corremos o risco de perder seis anos. Acredito que o futuro presidente deveria refletir muito seriamente sobre isto. Se o futuro presidente não fizer nenhuma mudança e pensar apenas em conservar o poder será um erro", advertiu Gorbachev.

Em agosto, Gorbachev denunciou as "tendências autoritárias" de Putin e criticou o Rússia Unida por considerar que se parece com o Partido Comunista da época soviética.

Com Reuters, BBC, AFP e AP

    Leia tudo sobre: RÚSSIAMEDVEDEVPUTINELEIÇÃOALEXEI KUDRIN

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG