Ministro da Justiça diz que maioria dos italianos é espionada

Roma, 9 jun (EFE) - O ministro de Justiça italiano, Angelino Alfano, disse hoje que o Conselho de ministros realizado na próxima sexta-feira pode analisar a nova regra anunciada pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, para limitar as escutas telefônicas. Segundo o ministro, uma grandíssima parte dos italianos é espionada. Na Itália, em um ano, mais de 100 mil pessoas são interceptadas (suas ligações telefônicas), frente às 1.700 dos Estados Unidos, 2.

EFE |

300 da Suíça, 3.700 da Holanda, 5.500 do Reino Unido e 20 mil na França", afirmou o titular de Justiça.

"Se cada um faz ou recebe 30 chamadas ao dia, chega-se a três milhões de intercepções", denunciou Alfano perante a Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados.

Ele também ressaltou o custo destas escutas, que aumentou 50% entre 2003 e 2006. Segundo dados do Ministério da Justiça, no ano passado foram espionados por telefone 124.845 cidadãos com um custo de 224 milhões de euros.

O ministro fez essas manifestações para denunciar o "abuso" que se faz das escutas telefônicas e quanto essas custam ao Estado e, por sua vez, insistiu em que as medidas preparadas pelo Governo não interromperão a ação da magistratura.

Mas a polêmica não diminui. Este fim de semana, a Associação de Magistrados italiana disse que as escutas telefônicas são insubstituíveis na luta contra o crime.

Já hoje, o líder do partido Itália dos Valores (IDV, oposição), Antonio Di Pietro, disse que são necessárias "para curar o mal" e que, se forem proibidas, recolherão assinaturas para convocar um referendo sobre o assunto.

A Federação Italiana de Editores e Jornais (FIEG) também se mostrou contrária. Seu presidente, Boris Biancheri, disse hoje que limitar as intercepções ao terrorismo e ao crime organizado "não é uma boa idéia".

"Um seqüestro ou um fato de corrupção de um funcionário não são menos graves. Fala-se de punir os jornalistas que escrevem as notícias ou o editor que as publicam, mas, antes tem que ser castigado quem as vaza", afirmou Biancheri em comunicado.

Walter Veltroni, líder do Partido Democrata, o mais importante da oposição, considerou a proposta de Berlusconi "equivocada e grave", mas indicou que "não é aceitável" que tudo acabe nos periódicos.

Segundo Veltroni, um país democrático deve garantir um duplo direito, o dos magistrados a ter todos os instrumentos para contrastar a criminalidade e o direito dos cidadãos a não ver seus nomes na imprensa até o momento do julgamento.

Berlusconi anunciou que o próximo conselho de ministros aprovará um procedimento pelo qual serão proibidas as escutas telefônicas, com exceção de nas investigações de máfia e terrorismo, com penas de cinco anos de prisão para quem as ordene fora desses âmbitos, as realize ou as divulgue.

A proposta de Berlusconi foi recebida com cautela pela aliada Liga Norte, cuja responsável de Justiça, Carolina Lussana, disse que se trata de um tema "delicado", já que, por um lado, é preciso garantir os direitos dos cidadãos e, por outro, garantir aos magistrados que podem realizar suas investigações. EFE jl/db

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