Ministro da Economia argentino deixa cargo

Quatro meses após assumir o Ministéro da Economia da Argentina, o economista Martín Lousteau deixou o cargo na noite desta quinta-feira, depois de vários dias de rumores sobre sua saída. As principais emissoras de televisão do país interromperam a programação para anunciar a saída do ministro, que assumiu o cargo com a presidente atual, Cristina Kirchner, em dezembro passado.

BBC Brasil |

Pouco depois, já no início da madrugada desta sexta-feira, as TVs informaram que o novo ministro será Carlos Fernández, que estava na Afip (Administração Federal de Ingressos Públicos, equivalente à Receita Federal). Ele deverá assumir o Ministério da Economia às 19h desta sexta-feira.

Fernández foi secretário de Economia da província de Buenos Aires e chegou à Afip recentemente.

O novo ministro terá entre seus principais desafios a crise entre o governo e os ruralistas e a alta da inflação. Diferentes setores argentinos, como os próprios técnicos do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, equivalente ao IBGE), afirmam que a inflação real é maior do que a divulgada pelo governo.

Versões
Na noite de quinta-feira, circularam na imprensa argentina duas versões para a saída de Lousteau.

As emissoras de televisão Cronica e C5N informaram que Cristina Kirchner havia demitido o ministro, argumentando que ele teria adotado, sozinho, o aumento dos impostos às exportações de soja, que levou à atual crise do governo com o setor agropecuário.

A C5N afirmou que o ministro estava entrando em um avião para viajar para o Uruguai quando recebeu um telefonema avisando que não deveria viajar, porque estaria demitido.

No programa Código Político, da emissora TN, o jornalista Daniel Fernández Canedo disse que Lousteau teria renunciado ao cargo porque Cristina Kirchner ignorou uma proposta sua de corte de gastos e "esfriamento" do ritmo do crescimento econômico para tentar reduzir a inflação.

A emissora ainda afirmou que na noite desta quinta-feira, num discurso político, o ex-presidente Néstor Kirchner, marido e braço direito de Cristina, disse que não haveria "esfriamento" da economia. Esse fato alimentou a versão de que Lousteau teria renunciado.

No mesmo programa, os apresentadores Julio Blanck e Eduardo von der Kooy, também colunistas do jornal Clarín, informaram que Lousteau pediu demissão, entre outros motivos, por discordar da "interferência" do secretário de Comércio, Guillermo Moreno, na sua administração.

Recentemente, as televisões mostraram uma discussão, em público, entre os dois. O fato ocorreu em meio à paralisação dos ruralistas, no mês passado.

Lousteau deixou o ministério a poucos dias do fim de uma trégua de um mês dada pelos produtores rurais ao governo, que vence no dia 2 de maio.

A trégua foi anunciada no início de abril, depois de mais de 20 dias de protestos, bloqueio de estradas e panelaços nas principais cidades argentinas.

Esses protestos foram provocados pelo aumento de impostos sobre as exportações agropecuárias, principalmente de soja, e também pela suspensão das exportações de carne e de trigo - nesse último caso, afetando diretamente o mercado brasileiro.

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