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Bogotá, 23 mai (EFE).- O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, considerou hoje que Tirofijo era um obstáculo para qualquer tentativa de paz e morreu isolado, e disse que pediu às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que permitam uma autópsia para estabelecer as verdadeiras causas do falecimento do chefe máximo do grupo.

Pedro Antonio Marín, identidade real de "Tirofijo" ou "Manuel Marulanda Vélez", tinha "uma visão arcaica e era um personagem ancorado no passado" e que "causou dor, sofrimento, violência e morte" para a Colômbia, segundo Santos.

O alto funcionário declarou em entrevista coletiva que os serviços de inteligência das Forças Militares colombianas haviam localizado o acampamento do guerrilheiro em uma localidade próxima à divisa entre o departamento de Meta e o de Huila (sul).

Santos, em entrevista que concedeu à revista "Semana" - que entra em circulação hoje, mas que foi divulgada no sábado -, revelou a morte do fundador das Farc.

Um dos membros do chamado "secretariado", ou máxima hierarquia das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timoleón Jiménez" ou como "Timochenko", confirmou o falecimento em um vídeo divulgado pela rede de televisão "Telesur", e também a data - 26 de março -, como Santos havia antecipado em suas declarações à revista.

"Sua morte, segundo eles (os líderes das Farc), foi possivelmente em decorrência de uma parada cardíaca. Embora tenha havido, nessa época (entre 20 e 30 de março), operações importantes contra seus acampamentos", acrescentou hoje o ministro Santos em entrevista coletiva.

"Tomara que eles tenham a decência de permitir uma autópsia e estabelecer as verdadeiras causas da morte", acrescentou.

Santos advertiu que esses bombardeios "continuarão" contra todos os chefes rebeldes e "as Farc em geral", após afirmar que "a política de segurança continuará sendo fortalecida com igual intensidade".

O titular da pasta da Defesa ratificou que em substituição a "Tirofijo" assume o comando geral do grupo Guillermo León Sáenz, conhecido como "Alfonso Calo".

Santos divulgou uma gravação de dois guerrilheiros, captada no sábado pela inteligência militar, na qual um confirma ao outro a morte do comandante geral.

Na gravação, pode-se escutar quando um deles, conhecido como "Alberto Cancharina", diz ao outro: "o velho morreu de parada cardíaca em 26 de março (...) isso é verdade (...) Em substituição a ele fica o camarada 'Alfonso Calo' (...) É necessário que se diga isso ao povo".

Além desta gravação, "temos várias outras, e por isso estávamos tão convictos da verdade da informação", declarou o ministro aos jornalistas.

Já Santos pediu aos chefes e aos combatentes das Farc para se desmobilizarem, e assinalou que assim como o Governo luta contra eles com toda intensidade, também tem as portas abertas para a paz através dos programas de desmobilização.

Também solicitou com insistência a "Alfonso Calo" e ao responsável do "aparato militar" das Farc, Jorge Briceño Suárez, conhecido como "Mono (Macaco) Jojoy", que aproveitassem a generosidade do presidente Álvaro Uribe e "entrassem pela porta da paz". EFE rrm/fh/fb

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