NOVA YORK - O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, disse nesta segunda-feira, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que o presidente norte-americano, Barack Obama, não cumpriu sua promessa de mudar a política exterior dos EUA e pode não estar em pleno controle de seu governo.

AFP
Ministro cubano discursa na ONU
Ministro cubano discursa na ONU

Em seu discurso, Rodríguez disse que Obama fez pouco para melhorar as relações entre Cuba e os EUA e tomou medidas que se chocam com suas promessas de romper com as políticas de seu antecessor George W. Bush.

"O aspecto mais sério e perigoso dessa nova situação é a incerteza sobre a real capacidade das atuais autoridades em Washington de superar correntes políticas e ideológicas que no governo anterior ameaçavam o mundo", disse ele.

O ministro cubano mencionou o golpe militar em Honduras, em 28 de junho, dizendo que enquanto Obama diz que o presidente deposto Manuel Zelaya deve voltar ao poder, "a direita fascista norte-americana", representada pelo ex-vice-presidente Dick Cheney, apoia abertamente o golpe."

"O centro de detenção e tortura na base naval de Guantánamo, que usurpa parte do território cubano, não foi fechado. As tropas de ocupação no Iraque não foram retiradas. A guerra no Afeganistão se amplia", disse ele.

Em relação a Cuba, Rodríguez disse que Obama tomou "medidas positivas" ao permitir que cubano-americanos viajem e enviem dinheiro livremente para a ilha comunista.

Ele acrescentou que as conversas iniciadas pelos EUA sobre imigração e o possível restabelecimento de serviços postais diretos entre os inimigos de longa data foram "respeitosas e frutíferas."

Mas Rodríguez disse que muitas outras questões não foram tocadas, sobretudo o embargo comercial de 47 anos contra Cuba, que o governo da ilha culpa pela maioria de seus problemas.

"O ponto crucial é que o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba permanece intacto", disse ele, comentando a renovação por um ano do embargo duas semanas atrás.

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