Ministro colombiano é apoiado nos EUA, mas enfrenta incerteza sobre TLC

María Peña Washington, 25 jul (EFE).- O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, encerrou hoje sua visita a Washington, onde recebeu grande respaldo político sobre a missão de resgate dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas sem a certeza de ter acalmado os opositores ao Tratado de Livre-Comércio (TLC).

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Em cada parada de sua viagem de quatro dias, Santos destacou e detalhou a "Operação Xeque" que viabilizou a libertação de 15 reféns em poder das Farc, no dia 2 de julho, como exemplo de que a cooperação com seu país "está produzindo bons resultados".

"Quanto a se esta operação teve algum efeito nos Estados Unidos, nas pessoas que são contra o TLC, minha sensação é que sim, que ajudou muito, o povo está agradecido", disse Santos em coletiva de imprensa.

Perguntado pela Agência Efe sobre se o "agradecimento" e admiração pela capacidade do Exército colombiano se traduziria em votos, Santos se mostrou cauteloso.

"Ainda não poderia dizer isso porque nós estamos envolvidos em uma discussão política que muitas vezes não tem nada a ver com a Colômbia, tem a ver com política interna americana, polarizações", explicou.

Santos admitiu que não recebeu "nenhum sinal específico" nem uma "declaração oficial" de que os votos do TLC estejam garantidos, apesar de ter percebido, através de comentários e de "gestos", que a operação melhorou a imagem da Colômbia e criou um ambiente mais propício ao pacto.

Se o TLC se submetesse à votação hoje, teria a favor "uma maioria e uma grande maioria, mas são outras as razões que impediram que isso tivesse ocorrido, tomara que ocorra", disse o ministro.

Durante a viagem, que descreveu como uma "volta ao redor" ao invés de uma "volta olímpica", o ministro colombiano de Defesa realizou reuniões com o presidente George W. Bush e funcionários de alto escalão deste Governo, e com numerosos líderes do Congresso, mostradas à Colômbia como um êxito da política externa dos EUA.

A ambiciosa agenda, no entanto, não incluiu uma reunião com a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, que mandou o TLC para a geladeira em abril.

Santos tentou diminuir ferrenhamente as críticas sobre o uso do emblema do Comitê da Cruz Vermelha Internacional (CRIT) e do logo da cadeia de televisão "Telesur" na "Operação Xeque".

A mensagem subjacente é que o fim justifica os meios e que, em todo caso, o trabalho de grupos humanitários e de jornalistas que cobrem o conflito colombiano não foram colocados em perigo.

Segundo Santos, o Governo colombiano reconheceu que foi "um erro" no caso da Cruz Vermelha, mas no caso da "Telesur", disse que não tem muita importância e não acredita que seja necessário pedir desculpas.

"Não achamos que seja motivo de recriminações nem de pedir desculpas. Foi algo que realmente não consideramos que colocaria em perigo o papel dos jornalistas no futuro", comentou.

Os nove integrantes da missão de resgate fizeram-se passar por membros de uma organização humanitária e adotaram diversos sotaques para enganar o movimento guerrilheiro.

Um deles assumiu o papel de cinegrafista da "Telesur", uma rede de TV com financiamento público da Venezuela e de outros países da região, e gravou o vídeo do resgate da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de três americanos e de 11 soldados e policiais, alguns que estavam há mais de dez anos em cativeiro.

Por outro lado, Santos disse que não foi possível confirmar a suposta reunião de seis líderes das Farc com o presidente nicaragüense, Daniel Ortega, em Manágua, um assunto que aumentou as tensões nas relações entre os dois países.

Grupos contrários ao TLC e ao Plano Colômbia contra as drogas, entre eles o Escritório de Washington para a América Latina (Wola) quiseram tentaram atrapalhar a festa do ministro da Defesa, destacando, sobretudo, que em 2007 houve 347 execuções extrajudiciais e entre janeiro e março deste ano, outras 36.

Para Santos, em torno de quem persistem os rumores de uma possível candidatura presidencial, o sucesso da "Operação Xeque" diminuiu esses ataques. EFE mp/bm/rr

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