Ministro colombiano desmente tentativas de desprestigiar resgate de reféns

Navacerrada (Espanha), 5 jul (EFE).- O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, desmentiu hoje os argumentos e acusações dos que tentam desprestigiar o resgate de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e afirmou ter se tratado de uma operação que fala por si só.

EFE |

"A chamada 'Operação Xeque' não tem chances de ser desprestigiada, pois produziu os resultados que todos vimos", disse o ministro.

Pouco a pouco, o ministro foi desmontando argumentos, como o de um jornalista suíço que afirmou que tudo foi uma armação e que um dos líderes guerrilheiros tinha recebido uma recompensa.

"Cai pelo seu próprio peso", disse Santos, antes de explicar que, "para as Farc, seria muito mais humilhante que um de seus comandantes se vendesse por um punhado de dólares" do que o fato de terem sido enganados, "que foi o que aconteceu".

Além disso, Santos lembrou que o jornalista disse que cinco Governos contribuíram para o resgate, informação que foi "negada categoricamente" por todos.

Em terceiro lugar, disse que, segundo a versão, o resgate teria chegado ao guerrilheiro através de sua amante, uma mulher capturada pelo Exército colombiano meses atrás e que "já negou que não teve nada a ver" com o caso, entre outros motivos, porque "está separada há muito tempo".

O ministro citou outra acusação, segundo a qual foram utilizados emblemas de organizações internacionais no resgate, algo para a qual "a ordem era clara e peremptória, claríssima e categórica" no sentido de não suplantar a nenhuma organização.

"Tudo isto não passa de uma tentativa para desprestigiar fatos que já estão aí. Quinze seqüestrados libertados, sem disparar um só tiro, já estão com suas famílias", afirmou.

"O que mais querem como demonstração?", perguntou, após relatar os detalhes da operação.

Tratou-se de uma "operação 100% colombiana", que Santos disse ter sido "genial, mas que precisava ser testada" antes de chegar ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

O ministro recorreu a uma metáfora para dizer aos oficiais que planejaram o resgate que, antes de seguir adiante, era preciso "estar certo de que o peixe mordera" a isca.

"Colocamos isca de carne, o peixe mordeu e assim que mordeu fomos ver o presidente para ver se podíamos tirar o peixe da água", acrescentou.

Uribe não titubeou e deu sinal verde, "como faz habitualmente", segundo Santos.

"'Vá em frente, ministro', disse o presidente", afirmou.

No passo seguinte, disse o ministro, "era necessário fazer com que o anzol fosse agarrado e tirá-lo rápido para não ele escapar".

"Foi isso que fizemos", afirmou.

De fato, Santos revelou que a operação estava prevista para ser desenvolvida "em mais ou menos dez dias", mas foi acelerada diante do temor de possíveis vazamentos de informação.

"Quando vimos que o peixe tinha mordido, aceleramos ao máximo porque o risco de vazamento de qualquer coisa era muito grande", disse.

Santos deixou claro, no entanto, que o tempo todo o nível de risco para os seqüestrados foi "mínimo", dado que afirmou ter sido determinante para a consecução do plano.

Apesar de esclarecer que ainda não se pode "cantar vitória", Santos reconheceu que um dos desafios a médio prazo fixado pelo Governo é se preparar para o que o alguns chamam de "pós-vitória" e outros, "pós-conflito".

À espera desse momento, o Governo colombiano continuará insistindo "com igual ou mais contundência" para conseguir a libertação de todas as pessoas que permanecem seqüestradas e para poder comunicar a mesma notícia que o próprio Santos transferiu nesta quarta-feira à mãe de Betancourt. EFE pi/wr/gs

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