Ministro colombiano acusa diplomata suíço de levar US$ 500 mil para as Farc

Bogotá, 6 jul (EFE).- O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, declarou que o diplomata suíço Jean Paul Gontard, que participou dos esforços para a libertação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), aparece como portador de US$ 500 mil confiscados da guerrilha na Costa Rica.

EFE |

Santos fez a afirmação em entrevista publicada hoje pelo jornal "El Tiempo", na qual reiterou que o Governo colombiano não pagou pelo resgate dos 15 reféns das Farc.

Os seqüestrados foram libertados na quarta-feira pelo Exército da Colômbia, e entre eles estavam a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt; os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, e 11 militares e policiais colombianos.

"A única coisa que eu digo é que esse senhor (Gontard) terá que explicar por que aparece nas mensagens de 'Raúl Reyes' como o portador dos US$ 500 mil apreendidos da guerrilha colombiana na Costa Rica", disse o ministro, se referindo ao computador do porta-voz internacional das Farc.

Reyes foi morto em 1º de março, em uma operação do Exército colombiano em território equatoriano, na qual também morreram outras 25 pessoas, e que gerou uma crise diplomática entre Colômbia e Equador.

Quando perguntado se Gontard "se aliara à guerrilha" colombiana, Santos respondeu: "Nem uma palavra a mais".

Sobre a afirmação do jornalista suíço Frederich Blassel, da "Radio Suisse Romande" ("RSR"), de que um rebelde das Farc recebeu US$ 20 milhões em troca da entrega dos seqüestrados, e que a operação foi uma armação, Santos disse: "Desde sexta-feira passada que eu repito que isso é absolutamente falso".

O ministro explicou que a chamada Operação Xeque, na qual o Exército colombiano libertou os 15 seqüestrados, foi proposta por membros da "inteligência militar (colombiana), criativos e audazes".

O plano consistiu em convencer o guerrilheiro "César" - que estava com os cativos - que o chefe militar das Farc, Jorge Briceño, conhecido como "Mono Jojoy", ordenara a transferência dos seqüestrados para o local onde estava o líder máximo da guerrilha, "Alfonso Cano".

"Montaram, então, uma espécie de estúdio de cinema, para pôr o plano em prática. As pessoas que participaram diretamente nos helicópteros tiveram, inclusive, aulas de teatro", explicou o ministro colombiano.

Santos acrescentou que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, lhe respondeu assim ao contar sobre o projeto: "Vá em frente, ministro".

Ele reiterou que o Exército se infiltrou nas Farc, e destacou que esse processo "não aconteceu de um dia para o outro".

"Nós temos infiltrados nas Farc há muito tempo", afirmou.

Sobre o futuro das Farc, Santos disse "esperar que Alfonso Cano perceba que se não negociar agora, será muito difícil mais tarde".

EFE gta/wr/gs

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