Dados sobre encontros de George Osborne foram divulgados em resposta a escândalo de grampos do extinto tabloide News of the World

Ministro das Finanças George Osborne esteve cinco vezes com Rebekah Brooks, ex-chefe-executiva da News International, braço britânico da News Corp. (25/7)
AFP
Ministro das Finanças George Osborne esteve cinco vezes com Rebekah Brooks, ex-chefe-executiva da News International, braço britânico da News Corp. (25/7)
O ministro das Finanças britânico, George Osborne, reuniu-se com executivos de empresas do magnata Rupert Murdoch 16 vezes desde a eleição de maio de 2010. Os dados foram divulgados nesta terça-feira por departamentos do governo em resposta ao escândalo de escutas telefônicas envolvendo o extinto tabloide News of the World , parte da News Corp. de Murdoch , que chamou atenção para o relacionamento estreito entre políticos e organizações de mídia.

Uma lista dos encontros de Osborne com proprietários, editores e executivos de empresas de mídia desde maio de 2010 mostra que ele esteve cinco vezes com Rebekah Brooks, executiva da News International que renunciou a seu cargo neste mês em meio à pressão pelo escândalo dos grampos.

Osborne se reuniu duas vezes com Murdoch para "discussões gerais" e quatro vezes com James Murdoch, filho do magnata de mídia. Ele se reuniu também com executivos de mídia de outras organizações em 38 ocasiões.

O secretário de Negócios Vince Cable, destituído do poder de regulamentar o setor de mídia por ter afirmado que declarara guerra a Murdoch, registrou duas reuniões com jornais da News Corp.: uma discussão geral com James Harding, editor do jornal The Times, e um almoço de negócios com o Sunday Times.

Jeremy Hunt, o secretário de Cultura, que assumiu no lugar de Cable a responsabilidade de supervisionar a aquisição proposta da BSkyB pela News Corp, teve dois encontros com James Murdoch em janeiro para discutir o processo em torno da oferta proposta. A oferta foi anulada na esteira do furor provocado pelos grampos telefônicos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, e o líder trabalhista Ed Milliband, já divulgaram detalhes das reuniões que eles próprios tiveram.
Cameron e Osborne são do Partido Conservador, que formou uma coalizão com os democratas liberais de Clegg nas eleições de 2010, depois da qual os trabalhistas foram afastados do poder.

Escutas

O escândalo no jornal News of the World, no qual investigadores acessaram as mensagens de voz de celebridades, vítimas de crimes e outras pessoas na busca de furos de reportagem, explodiu depois de vir à tona o fato de um investigador ter grampeado o telefone da menina Milly Dowler , morta em 2002, para acessar as mensagens de sua caixa de correio de voz.

O caso cresceu, com suspeitas de grampos de parentes de soldados britânicos mortos no Afeganistão, celebridades, políticos, membros da Família Real britânica e vítimas dos atentados de 2005 em Londres, fez Murdoch fechar o News of the World e levou à renúncia dos dois chefes de polícia mais seniores do país.

Depois do escândalo de escutas ilegais envolvendo o tabloide de 168 anos, cresceu o debate sobre limites e ética na imprensa do país. A Trinity Mirror, empresa que publica o tabloide Daily Mirror, anunciou na terça-feira ter lançado uma revisão de seus controles e procedimentos editoriais. Segundo um porta-voz da empresa, um dos objetivos da revisão interna, prevista para ser completada até meados de setembro, é assegurar que os gerentes tenham conhecimento da origem de qualquer matéria publicada pelo veículo.

O grupo de jornais Daily Mail & General Trust, por sua vez, garante não ter publicado matéria alguma baseada em mensagens grampeadas. Ao apresentar os resultados trimestrais da empresa, o executivo-chefe Martin Morgan disse a jornalistas em teleconferência que a empresa não vê necessidade de uma investigação interna sobre práticas na obtenção de informações e notícias.

Na semana passada, James e o pai compareceram a um comitê parlamentar de imprensa na terça-feira passada para responder a questões sobre escutas telefônicas. Um dia depois da sessão, um relatório do comitê acusou a empresa do magnata australiano de “tentativas deliberadas” de impedir o andamento das investigações.

*Com Reuters

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