Berlim, 18 dez (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, negou hoje uma participação ativa dos serviços secretos alemães (BND) na guerra do Iraque, e que seus agentes tivessem oferecido informação tática ao Exército dos Estados Unidos.

"Nunca ultrapassamos a linha vermelha", afirmou Steinmeier, diante da comissão parlamentar que investiga se o Governo do chanceler Gerhard Schroeder, que rejeitou a intervenção no Iraque, teve um papel relevante através de seus serviços secretos nessa guerra.

Steinmeier era então o titular da Chancelaria e, portanto, responsável da coordenação dos serviços secretos germânicos.

O atual ministro de Exteriores da coalizão da chanceler Angela Merkel compartilhou o comparecimento com seu antecessor no cargo, Joschka Fischer, que também negou tal envolvimento do BND.

Os agentes do BND foram enviados a Bagdá "para dispor de informação própria, e não para ser dependentes das alheias", disse Fischer, que passou para a retaguarda política após a derrota do social-democrata Schroeder frente a Merkel, em 2005.

O comparecimento de hoje é o quinto de Steinmeier perante a comissão que há dois anos e meio investiga o papel da Alemanha perante os presos de Guantánamo, os vôos secretos da CIA e a guerra do Iraque.

Até agora, Steinmeier insistiu repetidamente em que, apesar da presença de dois agentes dos serviços secretos destacados em Bagdá durante a guerra, a missão básica e principal deles era oferecer "informação própria" ao Governo de Berlim.

O fato de que a Alemanha tenha decidido não participar da guerra não implica em que não se ativesse a seus compromissos como membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, além de permitir que aviões americanos sobrevoassem território alemão, também "mantivesse a troca de informação com os EUA".

No entanto, a questão tomou nova relevância depois das declarações surgidas no fim de semana passado na revista "Der Spiegel" do ex-general americano James Marks, que qualificou o papel dos "rapazes" de "muito valiosa".

O militar afirmou que o trabalho dos agentes alemães foi "extremamente importante", e disse que confiavam "mais nas informações da Alemanha do que na CIA (agência de inteligência americana)".

O comparecimento de Steinmeier tem especial importância política para o atual ministro e vice-chanceler, por ele ser o candidato social-democrata às eleições gerais do próximo ano, nas quais lutará para tirar a Chancelaria de Merkel.

Os representantes na comissão da União Democrata-Cristã (CDU), o partido de Merkel, advertiram que não atuarão com contemplações e que sua incumbência é estabelecer o papel do Governo de Schroeder em uma guerra que teoricamente rejeitaram. EFE gc-ih/an

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