Ministro afegão diz que talibãs estão dispostos a negociar

Londres, 27 jan (EFE).- Segundo o ministro das Finanças do Afeganistão, Omar Zakhilwal, os talibãs estão dispostos a negociar, e o Governo afegão pode começar a fazê-lo amanhã mesmo se tiver apoio internacional.

EFE |

"Neste momento, inclusive, os talibãs sentem que é impossível que voltem ao poder", afirma Zakhilwal, em declarações ao jornal "Financial Times" às vésperas da conferência internacional sobre o Afeganistão, que acontece nesta quinta-feira em Londres.

No entanto, Zabiullah Mohajed, porta-voz dos talibãs, nega haver possibilidade de negociação com o Governo "até que as tropas infiéis estrangeiras" abandonem o país asiático.

O ministro, porém, garante que "muitos talibãs se dirigiram ao Governo".

Segundo Zakhilwal, é imprescindível para isso envolver o Paquistão, que teve papel-chave na criação dos talibãs nos anos 90.

Apesar reconhecer que será difícil negociar com os insurgentes, "não fazer nada também não é uma opção", explica o ministro.

Zakhilwal garante que os talibãs sondaram várias vezes o Governo, desde 2003, sobre a possibilidade de chegar a um acordo, mas até agora Cabul não tinha o apoio do Ocidente para as negociações.

"O custo da paz é muito inferior ao da guerra. Essa será nossa argumentação na conferência de Londres", assinala o ministro.

O ministro procura apoio ocidental para um plano de reintegração dos talibãs que custaria entre US$ 200 milhões e US$ 1 bilhão.

O plano consiste em negociar com os talibãs em duas fases, começando pelos membros de "categorias inferiores", muitos dos quais, afirma, foram obrigados a se juntar aos rebeldes.

Zakhilwal quer oferecer a estas pessoas incentivos como trabalhos, terra e proteção, para que deixem a organização.

Em uma segunda fase poderia ser envolvida a liderança talibã, oferecendo a alguns dos dirigentes um posto no Governo ou em nível de vereador de distrito.

O ministro insiste que não haveria em nenhum caso um Governo de coalizão com os talibãs e garante também que não se trata de uma operação de "suborno". EFE jr/fm

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