Ministra francesa defende maior papel de emergentes em decisões

A ministra francesa das Finanças, Christina Lagarde, afirmou que países emergentes como o Brasil devem ter um um papel mais importante nas discussões sobre a reforma do sistema financeiro mundial. Sofremos todos os mesmos efeitos da crise e todos devem participar da nova arquitetura financeira internacional, disse Lagarde em uma entrevista a jornalistas brasileiros.

BBC Brasil |

"Não há de um lado os países desenvolvidos e, de outro, os emergentes. É preciso que haja unidade", afirmou a ministra.

Lagarde viaja a São Paulo na noite desta sexta-feira para participar da reunião do G20, que acontece no sábado e domingo.

Como a França preside atualmente a União Européia, a ministra falará em nome dos países do bloco na reunião.

Bretton Woods
Entre as propostas da ministra para uma nova "arquitetura financeira mundial", estão o reforço da regulação dos mercados, a redução de atividades de risco, a maior transparência das agências de notação e também a responsabilização de todos que atuam no sistema financeiro.

Países europeus defendem uma reforma completa do sistema financeiro mundial, uma espécie de novo "Bretton Woods", os acordos assinados em 1944 que estabeleceram as regras para as relações financeiras e comerciais internacionais.

Segundo a proposta que será apresentada por Lagarde, discutida nesta sexta pelos líderes da União Européia, em Bruxelas, a atuação do Fundo Monetário Internacional também deve ser reforçada.

"As normas acabam sendo ultrapassadas por práticas novas que surgem. É preciso ter um mecanismo que reexamine estas regras regularmente. O FMI pode ter um papel importante nessa questão", disse a ministra.

Segundo ela, o Fundo deve ser dotado de meios técnicos para efetuar uma coordenação mais rápida e ter maior eficácia.

Lagarde também afirmou que o Brasil e outros países emergentes deveriam ter maior voz no FMI e em outras instâncias internacionais.

No caso do FMI, no entanto, a ministra francesa afirmou que se o Brasil quiser ter um papel de maior destaque, também terá de aumentar suas contribuições ao Fundo.

"Não é possível ter maior participação sem aumentar os recursos. Se você não colocar mais dinheiro no caixa, é difícil querer ser aquele que toma decisões", disse a ministra.

O encontro em São Paulo vai reunir ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G8 (as sete economias mais ricas do mundo mais a Rússia) e de países emergentes como Brasil, China, Índia, Argentina e México.

As discussões vão servir de referência para a cúpula do dia 15 de novembro em Washington, na qual os líderes do G20 devem estudar medidas conjuntas contra a crise financeira.

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