Ministra austríaca vê falha de autoridades em caso de incesto

Por Karin Strohecker VIENA - A ministra austríaca da Justiça, Maria Berger, considera que as autoridades foram ingênuas com relação a Josef Fritzl, que manteve uma filha presa num porão durante 24 anos e teve sete filhos com ela.

Reuters |

É a primeira vez que o governo admite falhas na forma como lidou com o caso.

'Olhando tudo o que sabemos até agora, vejo uma certa ingenuidade --especialmente quando se trata daquela história de que [a filha de Friztl tinha entrado para uma seita, com o que o suspeito explicou a desaparição da filha', disse Berger em entrevista publicada na quarta-feira pelo jornal Der Standard.

Elisabeth Fritzl diz que em 1984 seu pai a atraiu para o porão da casa, a dopou e a encarcerou, passando então a cometer abusos sexuais. À esposa, Josef Fritzl disse que a filha havia entrado para uma seita.

Três dos sete filhos resultantes desses abusos foram criados pelo casal Josef e Rosemarie Fritzl. O homem dizia à mulher que a filha deixara as crianças na porta de casa junto com uma carta em que dizia não ser capaz de criá-los.

Clique na imagem e veja o infográfico sobre o crime (AFP)



Outros três filhos do relacionamento foram criados dentro do porão pela própria Elisabeth, e uma sétima criança morreu logo após nascer.

Fritzl, que também tem sete filhos com a esposa, adotou legalmente uma das crianças e foi autorizado a criar as outras duas.

Adoções de crianças por parentes habitualmente são menos fiscalizadas do que as demais, mas a ministra afirmou que isso vai ter de mudar.

'Em geral, pais adotivos são exaustivamente checados. Uma forma de fazer isso é checar o prontuário criminal', disse Berger ao jornal. 'Agora, queremos tornar isso compulsório também quando se trata de adoções privilegiadas por familiares.'

A imprensa e entidades beneficentes questionam a autorização para que Fritzl cuidasse das crianças, especialmente porque ele havia sido condenado por estupro na década de 1960.

O juiz responsável pelo processo de adoção disse não ter visto necessidade de pedir o prontuário criminal de Fritzl. Na época da decisão, a condenação já havia sido retirada do prontuário.

Esse é o segundo caso desse tipo na Áustria nos últimos tempos. Há dois anos, a jovem Natascha Kampusch conseguiu fugir de um porão onde foi mantida presa durante oito anos por um homem que não era seu parente e se matou em seguida.

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