Ministério Público pede prisão de dirigente opositor da Venezuela

O Ministério Público do Estado de Zulia, na Venezuela, pediu nesta quinta-feira a prisão do dirigente opositor e ex-candidato à Presidência Manuel Rosales, acusado de enriquecimento ilícito durante sua gestão à frente do governo estadual. Rosales - atual prefeito da cidade de Maracaibo, a segunda maior cidade venezuelana - estava realizando um ato público em uma rodoviária da cidade quando soube da decisão da Justiça.

BBC Brasil |

AP
Rosales em ato público, em Maracaibo

Imediatamente, Rosales desafiou o
presidente venezuelano, Hugo Chávez. "Isso não foi uma decisão do Ministério Público, isso é ordem do Chávez (...) como todos sabem, na Venezuela não funcionam os poderes (públicos)", afirmou Rosales.

"Meus advogados se encarregarão do assunto, eu vou enfrentá-lo em todos os terrenos. Chávez é um covarde", acrescentou.

No ano passado, durante a campanha para as eleições regionais, Chávez chamou o ex-governador de "ladrão" e "mafioso" e disse que ele seria levado à prisão.

Rosales disse que o presidente venezuelano pretende "calar" aos políticos que se opõem a seu governo.

"Há uma grande manipulação do Ministério Público que não aceita nem as provas onde demonstramos que tudo é uma confusão", afirmou o prefeito.

A promotora do MP de Zulia que encabeça o caso, Kathiuska Plaza, explicou que o pedido ainda deve passar pela máxima instância do organismo em Caracas e será este Tribunal, "depois de ouvir as partes", que definirá se "executará ou não" a medida. Este trâmite poderá demorar de dez a 20 dias, de acordo com a promotora.

Se for condenado, Rosales poderia pegar pena de três a dez anos de prisão, conforme prevê a Lei Anticorrupção.

O processo contra Rosales foi apresentado em julho de 2007 ao MP, depois de uma investigação realizada pelo organismo na declaração de patrimônio apresentada pelo então governador Rosales nos anos de 2002 e 2004.

De acordo com a conclusão do MP, a aquisição dos bens do ex-governador não pode ser justificada junto à Controladoria-Geral da República.

As acusações contra Manuel Rosales vieram à tona durante a campanha eleitoral de 2007 para eleições de prefeitos e governadores.

Na ocasião, além de acusá-lo de corrupção, Chávez disse que o ex-governador dava refúgio a paramilitares e grupos de extrema direita venezuelanos e colombianos, que teriam o objetivo de desestabilizar o país.

"Não por acaso, todos os capos (chefes) do narcotráfico que foram presos no país foram encontrados em Zulia (...), ali estão protegidos", afirmou Chávez em um dos comícios de campanha.

Poucos dias depois, as acusações de desvio de dinheiro público foram veiculadas pelo canal de TV estatal VTV, que transmitiu o áudio de um grampo telefônico, realizado pelo serviço de inteligência, em que Rosales discute com sua secretária a compra de relógios caros que seriam dados de presente a diretores de jornais.

Outra gravação revelou uma conversa de Rosales negociando a compra de gado e realizando transações bancárias em uma conta em Miami.

A gravação sugere que o governador teria utilizado verbas públicas para a aquisição de seu patrimônio.


Leia mais sobre Venezuela

    Leia tudo sobre: venezuela

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG