Ministério polonês divulga texto de acordo sobre escudo antimísseis

Varsóvia, 22 ago (EFE).- O Ministério de Assuntos Exteriores polonês divulgou hoje o texto do acordo assinado com os Estados Unidos na quarta-feira passada, que deu sinal verde aos americanos para posicionar elementos de seu escudo antimísseis na Polônia, projeto que a Rússia considera uma volta aos tempos da Guerra Fria.

EFE |

O acordo assinado pelas duas partes qualifica o escudo antimísseis como "uma resposta à proliferação de armas de destruição em massa", incluindo os mísseis balísticos.

O documento, que foi assinado em Varsóvia pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e pelo ministro de Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, colocou fim a 18 meses de negociações, em meio às constantes exigências da Polônia, que pedia uma grande compensação por se transformar em parte do sistema balístico americano.

Finalmente, o conflito entre Rússia e Geórgia, no qual o Executivo polonês tomou partido pela causa georgiana, acelerou o acordo e inclusive fez com que a maioria da opinião pública polonesa passasse da rejeição ao escudo ao apoio.

No documento divulgado, Washington e Varsóvia destacam que o acordo foi assinado "de acordo com as leis internacionais" e os pactos anteriores assinados entre os dois países.

As dez plataformas de lançamento de mísseis interceptadores que os EUA colocarão na Polônia ficarão na localidade de Redzikow (norte do país), em uma base fechada, com acesso restrito, operada por militares americanos, mas submetida à legislação polonesa.

Além disso, os americanos serão os responsáveis de manter a ordem e a disciplina no interior da base, e as autoridades polonesas garantirão a segurança do perímetro externo.

Um dos pontos do acordo assinado mais comemorados pelo Executivo polonês é o compromisso adquirido pelos EUA de defender a Polônia em caso de ataque proveniente de um outro país.

Para Varsóvia, esta era uma condição imprescindível para aceitar o posicionamento do escudo, já que receber estas instalações militares colocarão a Polônia no olho do furacão, no caso de um conflito internacional.

As plataformas de lançamento de mísseis estarão operacionais a partir de 2012, e atuarão junto com um potente radar que ficará na República Tcheca.

O sistema balístico, "de caráter completamente defensivo", como destacou a própria Rice durante a assinatura, formará uma espécie de escudo virtual capaz de detectar e derrubar mísseis de longo alcance lançados de países como Irã e Coréia do Norte.

Apesar de a Casa Branca defender que suas plataformas de lançamento "não apontarão para ninguém", Moscou critica o projeto, que considera uma verdadeira ameaça e que motivou sérias ameaças contra a Polônia. EFE nt/an

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