Jerusalém, 22 set (EFE).- O Ministério israelense de Educação revisará a última edição de um dos livros para estudantes do ensino médio porque considera que legitima a versão palestina sobre a criação do Estado de Israel.

O conteúdo do livro de história, editado pelo Centro educativo Zalman Shazar, foi aprovado para o uso de adolescentes entre 16 e 17 anos, embora o Ministério tenha suspendido sua publicação até revisar se a definição que faz do termo "Nakba" - como se referem os palestinos à criação do Estado judeu - responde a suas exigências, informa hoje o jornal "Ha'aretz".

Com o esse termo, que em árabe significa "Catástrofe", os palestinos descrevem a criação do Estado de Israel em 1948, que supôs o exílio de centenas de milhares de refugiados.

O novo livro, publicado há várias semanas, inclui um parágrafo que diz que "os palestinos e os Estados árabes alegam que a maioria dos refugiados (palestinos) eram civis que foram atacados e expulsos de suas casas pelas forças judias armadas, que instituíram um regime de limpeza étnica".

A questão dos refugiados palestinos aparece consignada há anos nos livros de texto israelenses, mas até este ano continham unicamente a versão israelense da guerra de 1948, que considera sua Guerra de Independência.

Esta versão reconhecia de uma forma muito mais ambígua a expulsão de uma parte da população civil palestina e atribuía o problema dos refugiados a que, em sua maioria, se foram de forma voluntária devido a que "achavam que voltariam como vencedores" ou porque "temeram às forças israelenses".

Ao contrário deste, o novo livro também descreve as divergências entre os historiadores tanto em números como em causas e consequências desse fato.

Numerosos professores de história protestaram a equiparação entre as duas versões no novo texto e pedido ao Ministério que corrija a edição. EFE elb/fk

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