Mineiros no Chile recebem camisas de atacante do Barcelona

Como muitos de seus parentes, incluindo o pai, trabalharam em jazidas, craque David Villa se comoveu com história de mineiros

iG São Paulo |

AFP
Jornalista Cristina Cubero (à esq.) e Carolina Lobos, filha do mineiro Franklin Lobos, mostram camisetas dadas pelo atacante David Villa aos operários presos em jazida
Duas camisas oficiais do Barcelona com autógrafos e mensagens escritas pelo atacante espanhol David Villa chegaram nesta quinta-feira à mina San José, no norte do Chile, para serem entregues aos 33 operários que estão soterrados desde 5 de agosto.

Cristina Cubero, diretora de relações exteriores do jornal espanhol "El Mundo Deportivo", foi a responsável por levar as camisas até a jazida, situada a 830 quilômetros ao norte de Santiago, na região do deserto do Atacama.

"Ânimo, mineiros", diz uma das mensagens escritas nas camisas, uma das quais é para o grupo e a outra tem como destinatário Franklin Lobos, um ex-jogador profissional que está entre os soterrados.

Villa, segundo Cristina, sensibilizou-se com a situação dos trabalhadores porque seu pai, seu avô, seu bisavô e muitos de seus parentes trabalharam por muitos anos em minas de carvão na região espanhola das Astúrias.

"Ele viveu toda sua vida em Tuilla, que é um povoado de mineradores. Seu pai trabalhou por 27 anos na mina e, quando David tinha 8 anos, houve um acidente naquela região que deixou quatro trabalhadores mortos, todos amigos de seu pai, que se salvou por um milagre", explicou.

null"David estava muito emocionado, com os olhos cheios de lágrimas enquanto escrevia para os mineiros. Esse não é um gesto para parecer bom aos torcedores, é um gesto do coração", explicou.

Escavações

A máquina que põe em prática o Plano B de resgate dos 33 mineiros presos em uma mina no norte do Chile ficará parada por 48 horas para reparos, disse o chefe das equipes de resgate, André Sougarret. "A máquina está a 268 metros (de profundidade de escavação). Houve problemas em um perno (do martelo) e serão necessárias cerca de 48 horas para que volte a funcionar", disse.

A máquina, uma perfuradora T-130, começou a cavar no domingo e até quarta-feira estava a 268 metros em sua primeira fase, de um total de 630 metros previstos. Ao atingir essa profundidade, teve de parar por 14 horas para a mudança de alguns cabos. Mas um problema no martelo fará com que precise ser consertada por mais 48 horas, disse Sougarret.

A máquina deve alargar um primeiro duto já construído de 630 metros. Ao atingir essa profundidade, deve aumentar o duto para que chegue a cerca de 70 cm de diâmetro, o que permitirá a saída dos trabalhadores.

Plano C

Os caminhões que transportam a sonda petroleira que cavará uma terceira via até os mineiros chegarão à mina San José nesta quinta-feira ou na manhã de sexta, segundo o engenheiro encarregado dos trabalhos de resgate. A terceira máquina é uma sonda petroleira que cavará um terceiro poço.

"Os caminhões estão passando por Antofagasta", disse Sougarret, indicando a passagem pelo norte do Chile da caravana de 42 caminhões que transportam a maquinaria gigantesca. "Dependendo das condições de tráfego, devem chegar neste dia ou amanhã (sexta-feira) de manhã. Isso é algo que monitoramos a todo momento", afirmou.

O engenheiro explicou que um estudo logístico e topográfico do caminho e do lugar está em andamento para organizar a subida dos caminhões da estrada até a mina, uma distância de 40 km por um estreito caminho sinuoso de terra. "Estamos fazendo a logística para a subida dos caminhões. Há uma questão logística, de segurança, há cabos elétricos, questões de espaço que precisamos levar em consideração", disse.

Os caminhões que transportam a terceira perfuradora desmontada terão de se revezar no descarregamento das peças, já que todos juntos não cabem na área onde são realizados trabalhos de resgate. Espera-se que por volta de 18 de setembro (dia do bicentenário da independência chilena) ela possa começar a perfurar.

A nova sonda - operada pela empresa canadense Precision Drilling - tem capacidade para perfurar até 2 mil metros de profundidade, a uma velocidade que varia, dependendo da consistência da rocha, de 20 a 40 metros por dia, explica um documento fornecido pelo governo chileno.

*Com EFE e AFP

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