Minc diz em Paris que continuará política de Marina Silva

Paris, 15 mai (EFE) - O secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, afirmou hoje em Paris que aceitará o cargo de ministro do Meio Ambiente, e que continuará e aprofundará a política iniciada pela última titular da pasta, Marina Silva. Em viagem oficial à França, Minc disse que ficou surpreso com a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assumir uma pasta deixada por Marina Silva devido a divergências com algumas políticas desenvolvimento econômico na Amazônia. O futuro ministro, que deve assumir o Ministério do Meio Ambiente na próxima semana, afirmou hoje que aceitou o cargo após Lula ter acatado suas condições, entre elas a de ter liberdade para escolher sua equipe e um melhor financiamento às políticas ambientais. Eu não pedi o cargo e não o queria, estava muito bem como secretário (estadual do Ambiente) do Rio de Janeiro. Mas Lula insistiu e o governador do Rio, Sérgio Cabral, também me incentivou a aceitar, disse Minc a um grupo de jornalistas na capital francesa.

EFE |

O secretário, um dos fundadores do Partido Verde (PV), afirmou ser "um amigo fiel" de Marina Silva, cuja renúncia gerou críticas de ambientalistas ao Governo Lula, ao qual acusaram de ceder às pressões de grupos econômicos em detrimento da preservação da Amazônia.

O futuro ministro negou que sua nomeação significará uma mudança na política ambiental iniciada por Marina Silva.

"Marina foi a melhor ministra do Meio Ambiente que o Brasil teve e eu vou continuar e aprofundar o que ela começou. Se alguém pensa que minha nomeação servirá para abrir a Amazônia ao capital, está muito enganado", afirmou.

Minc, que lembrou que sua tese de doutorado versou sobre a Amazônia, ressaltou que enquanto estiver à frente do Ministério do Meio Ambiente, não só a superfície florestal do país não diminuirá, como também "aumentará".

Em particular, disse que não permitirá que se cortem árvores para aumentar a superfície de plantação, porque o Brasil, disse, é um país onde, "ao contrário de outros, há terra suficiente".

O futuro ministro aplicará à política federal algumas das iniciativas que empreendeu nos anos nos quais ficou à frente da Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, como o desenvolvimento de parques naturais e uma nova política de licenças ambientais.

Entre as condições apresentadas a Lula para aceitar o cargo está obter um melhor financiamento para as políticas ambientais, porque, disse, "cuidar bem do meio ambiente custa caro e precisa de poder político".

"Disse ao presidente que eu tinha mais orçamento para me ocupar do meio ambiente no Rio que Marina (Silva) para todo o país", disse.

Minc indicou que boa parte da equipe de sua antecessora continuará no ministério.

Ele afirmou que não conhece as necessidades ambientais do país como as do Rio de Janeiro e disse: "Não sei se estarei à altura do desafio".

O futuro ministro se referiu ao projeto de construção de duas represas hidroelétricas no rio Madeira, na fronteira com a Bolívia, motivo que alguns analistas indicaram que poderia ter provocado a renúncia de Marina Silva.

"Ela se opôs ao projeto inicial, mas conseguiu introduzir modificações que levaram a que o aceitasse, em particular no que se refere ao movimento dos peixes", disse. EFE lmpg/db

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