Militares transferem poder a líder da oposição em Madagascar

Líderes militares de Madagascar anunciaram nesta terça-feira que a presidência do país está sendo transferida para o líder de oposição Andry Rajoelina, em meio à onda de instabilidade política que atingiu o país africano. O anúncio foi feito depois de um pronunciamento do presidente Marc Ravalomanana, que havia dito que iria transferir o poder para o que chamou de diretório militar.

BBC Brasil |

AP

Militares armados escoltam ruas durante cerimônia de líder da oposição Rajoelina

Em uma cerimônia transmitida por rádio, o almirante Hyppolite Ramoroson anunciou que ele e outros líderes militares rejeitaram a proposta de Ravalomanana, optando por endossar a transição para Rajoelina.

Segundo Ramoroson, os militares deram plenos poderes ao oposicionista para se "tornar presidente da alta autoridade transitória" de governo.

No entanto, ainda não está claro se a decisão dos comandantes conta com o apoio de todos os militares ou apenas dos que já apoiavam Rajoelina.

Madagascar, país que ocupa uma ilha na costa sudeste da África, vive há sete semanas uma onda de instabilidade política que já deixou mais de cem mortos.

Andry Rajoelina já havia declarado ser o novo presidente do país e passado a ocupar o gabinete presidencial na capital, Antananarivo. O líder da oposição disse que vai convocar eleições dentro de dois anos e prometeu uma nova Constituição para o país.

Apesar disso, de acordo com o correspondente da BBC em Madagascar, Jonah Fisher, ainda há confusão sobre quem exatamente está governando o país neste momento.

Oposição

Reuters
Rajoelina em frente ao palácio presidencial

Na segunda-feira, Rajoelina rejeitou a oferta de Ravalomanana de convocar um referendo para resolver a crise e pediu sua prisão.

Mais tarde, os militares invadiram a residência presidencial no centro da cidade e assumiram o controle do Banco Central.

Após ser reeleito presidente, em dezembro de 2006, Ravalomanana abriu a economia do país para investimentos externos, mas correspondentes dizem que a medida não melhorou significativamente os indicadores sociais no país, onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

A oposição passou a tomar as ruas em janeiro, exigindo a renúncia de Ravalomanana.

No final de janeiro, Rajoelina - um ex-DJ de 34 anos de idade - rompeu com o presidente e foi afastado do governo de Antananarivo por Ravalomanana, o que levou a um aumento dos protestos.

Na semana passada, o Exército passou a apoiar Rajoelina após o chefe das Forças Armadas ter sido substituído pelo general rebelde Andre Ndriarijaona.

"Defendemos o povo de Madagascar", disse o general. "Se Ravalomanana pode resolver o problema, nós o apoiamos."

Correspondentes dizem que o líder da oposição se declara um defensor da democracia, apesar de trabalhar para substituir um governo democraticamente eleito por um que não foi escolhido pelo voto da população de Madagascar.


Leia mais sobre Madagascar

    Leia tudo sobre: madagascar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG