Militares tomam quartéis e aeroporto em protesto no Equador

Manifestações são contra corte em benefícios sociais e salários, segundo soldados e policiais; Correa diz que não recua

iG São Paulo |

AFP
Usando máscara de gás e uma bengala, Correa deixa Regimento Quito 1
Centenas de militares e policiais equatorianos tomaram nesta quinta-feira o maior quartel de Quito e o aeroporto internacional da cidade, em protesto contra um decreto aprovado pelo Congresso Nacional. A medida elimina benefícios sociais e afeta os salários dos policiais, segundo representantes da categoria.

O presidente do Equador, Rafael Correa, se dirigiu até o quartel tomado pelos policiais e foi recebido com ofensas e pedras. Depois de um forte pronunciamento, ele foi levado ao hospital.

"Não daremos um passo atrás, se querem tomar os quartéis, se querem deixar os cidadãos indefesos e se querem trair sua missão de policiais, façam isso", afirmou Correa, diante de centenas de policiais.

"Senhores, se querem matar o presidente, aqui estou, matem-me se quiserem, matem se têm poder, matem se têm coragem, em vez de se esconderem entre a multidão", gritou o presidente, visivelmente irritado com a situação.

O Aeroporto Internacional da capital equatoriana, o Mariscal Sucre, foi tomado por efetivos da Força Aérea Equatoriana e permanece fechado. Segundo a imprensa local, os protestos tiveram adesão dos militares e policiais na cidade de Guayaquil (sudoeste do país), reduto da oposição a Rafael Correa. As principais vias de acesso a Quito foram fechadas.

Condecorações

Os policiais recebiam condecorações a cada cinco anos, o que significava um aumento salarial, além de bônus anuais. O decreto elimina esses benefícios.

Entretanto, Miguel Carvajal, ministro de Segurança, disse que o decreto não afeta os salários dos policiais, ao explicar que os bônus antes recebidos a cada cinco anos passaram a ser nivelados e incorporados ao pagamento dos oficiais.

A seu ver, a crise está sendo gerada por uma campanha de "desinformação" que busca "utilizar" os policiais para obter fins políticos. "Isso é uma campanha de desinformação. Há que se perguntar quem são os que têm interesse em desinformar", disse Carvajal. "Policiais, não se deixem manipular", acrescentou.

'Morte cruzada'

Diante da crise, Correa poderá dissolver o Congresso, nas próximas horas, utilizando um mecanismo legal chamado "morte cruzada" que permite o fechamento do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas para Presidente e para o Parlamento. Essa é a primeira grande crise institucional que Rafael Correa enfrenta desde que assumiu o poder, em 2007, e deu início à chamada "Revolução Cidadã" no país.

O vice-chanceler do Equador, Kinto Luccas, disse que "há risco de golpe de Estado" no país. "O que estamos vendo é que há setores da oposição que estão insuflando essa situação para levar a um golpe de Estado", afirmou Luccas.

O vice-chanceler disse ter alertado os governos da região - em especial Brasil, Venezuela e Argentina - sobre a crise política no país, pedindo ações em defesa da ordem constitucional. "Não estamos pedindo a defesa do governo e sim da democracia equatoriana", afirmou Luccas.

Lula

A situação no Equador está sendo acompanhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que falou da possibilidade de acionar a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o Mercosul e a Organização dos Estados Americanos (OEA) se necessário, disse nesta quinta-feira o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Vai haver, se for necessário mobilização da Unasul, do Mercosul e da OEA, que já estão atentas ao assunto", disse Garcia.

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse considerar dissolver o Parlamento do país por conta de um impasse político com aliados. Além disso, policiais realizam protestos em todo o país, deixando o Equador sem segurança, e as Forças Armadas tomaram o principal aeroporto equatoriano.

O Conselho Permanente da OEA anunciou que se reunirá em sessão extraordinária com o objetivo de analisar a situação do Equador. A reunião, na sede da organização em Washington, começou às 14h30 locais (15h30 no horário de Brasília).

Com BBC e Reuters

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