Por Patricia Vélez LIMA (Reuters) - Militares peruanos conseguiram resgatar nesta sexta-feira quase uma dezena de soldados feridos nesta semana em dois ataques atribuídos aos rebeldes do Sendero Luminoso em uma região de floresta, disse uma fonte das Forças Armadas.

Os disparos de guerrilheiros impediram na quinta-feira o pouso de um helicóptero militar que executava missão para resgatar oito soldados feridos em dois ataques perpetrados nesta semana pelos remanescentes do Sendero Luminoso concentrados no Vale dos Rios Apurímac e Ene.

"Todos foram resgatados", disse à Reuters uma fonte do Ministério da Defesa.

Anteriormente, uma fonte das Forças Armadas havia dito à Reuters que "uma operação com dois a três embarcações havia partido para resgatá-los.

A fonte explicou que os militares enfrentavam "duas ameaças", como o clima e a presença de rebeldes escondidos na zona florestal, que poderiam atirar outra vez contra as embarcações que vão em direção ao vale.

Os rebeldes intensificaram seus ataques em uma suposta retaliação a um enfrentamento no qual pelo menos dois soldados e quatro rebeldes morreram na semana passada na mesma região, quando forças de segurança procuravam um líder do Sendero Luminoso.

O governo peruano lançou em agosto de 2008 uma ofensiva na tentativa de conter um surto de violência na região do vale, mas até o momento o saldo é de 41 militares mortos.

O Peru enfrentou durante décadas uma sangrenta luta contra a guerrilha do Sendero Luminoso, na qual pelo menos 69 mil pessoas morreram ou desapareceram, segundo dados oficiais.

Durante seu auge, o Sendero Luminoso defendia uma ideologia maoísta e procurava instaurar um Estado comunista no Peru. Porém, com a captura em 1992 de seu líder, Abimael Guzmán, o grupo se converteu em um aliado do narcotráfico, que o abastece com armas, munições e alimentos no segundo maior produtor mundial de cocaína.

Segundo especialistas, a crescente aliança entre o narcotráfico e os remanescentes do Sendero Luminoso poderia se tornar um sério risco à segurança do país se o governo do presidente Alan García não endurecer as medidas para combatê-la.

(Com reportagem adicional de Teresa Céspedes)

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