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Militares prendem presidente de Honduras e o levam para a Costa Rica

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido neste domingo pelo Exército antes da realização de um polêmico referendo no País. Ele foi levado por soldados a uma base aérea próxima à residência presidencial e enviado para a Costa Rica. O presidente do Congresso de Honduras, http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/06/28/congresso+designa+micheletti+a+presidencia+de+honduras+7006923.html target=_topRoberto Micheletti, foi designado pelo Parlamento para a presidência.

Redação com agências internacionais |

Reuters
Manuel Zelaya

O Poder Judiciário de Honduras respaldou a ação das Forças Armadas de deter e deportar Zelaya. Fora das fronteiras do País, no entanto, o chefe de Estado recebeu um forte apoio da comunidade internacional, que condenou a deposição do líder.

Em San José, capital da Costa Rica, onde se encontra como "hóspede", Zelaya anunciou sua intenção de terminar seu mandato e negou em declarações à emissora "CNN" em espanhol ser o autor de uma carta de renúncia lida hoje no Congresso hondurenho e aceita por seus membros, reunidos em sessão extraordinária.

"Nunca renunciei e nunca vou utilizar esse mecanismo", disse o chefe de Estado.

"O que estou deduzindo agora é que não é um golpe militar, é uma conspiração" político-militar contra a democracia, assegurou Zelaya.

O presidente foi detido hoje em sua residência, levado a uma base aérea e retirado do país em um voo para Costa Rica, onde em entrevista coletiva acusou um grupo de militares "ambiciosos" de tê-lo "sequestrado" à mão armada.

Centenas de manifestantes se juntaram nas ruas da capital de Honduras, Tegucigalpa, para protestar contra a detenção de Zelaya. Soldados dispararam bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão.

Reuters
Manifestantes protestam pelas ruas de Tegucigalpa contra a detenção


Instabilidade

No sábado, Zelaya havia ignorado uma decisão da Suprema Corte para devolver o cargo ao chefe do Exército, general Romeo Vasquez, que foi demitido após se negar a ajudar na preparação do referendo.

"Nós não vamos obedecer a Suprema Corte", disse o presidente a uma multidão de simpatizantes em frente à sede do governo. "A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia."

Zelaya foi eleito em 2006 e, sob a atual Constituição hondurenha, não poderia disputar a reeleição.

O presidente disse que não tinha a intenção de concorrer novamente ao cargo, mas que queria apenas que presidentes futuros tivessem essa chance.

Ele queria realizar uma consulta popular para decidir se uma Assembleia Constituinte deveria ser convocada para fazer mudanças constitucionais junto com as eleições, marcadas para novembro.

Na terça-feira, o Congresso aprovou uma lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, o que impossibilitava os planos do presidente.

Em seguida, o chefe do Exército disse que não ajudaria na organização do referendo para não desrespeitar a lei.

Líderes militares se recusaram a entregar urnas para a votação, uma decisão que levou à demissão do general Vasquez e à renúncia do ministro da Defesa, Edmundo Orellana.

Os chefes da Marinha e da Aeronáutica também renunciaram em protesto.

Na quinta-feira, o presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas que estavam guardadas lá.

O Exército, por sua vez, colocou centenas de soldados nas ruas da capital, dizendo que queria prevenir que os aliados do presidente causem confusão

O Brasil

O Governo brasileiro condenou "de forma veemente" o golpe de Estado que tirou o presidente José Manuel Zelaya do poder e pediu que ele seja reposto, em comunicado divulgado no início desta tarde. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região", afirma a nota.

Reação

Em uma reunião de emergência em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o que chamou de "golpe de Estado" em Honduras.

A OEA se havia dito preocupada com as consequências que um enfrentamento entre os diferentes poderes poderia ter sobre "o processo político institucional democrático e o exercício legítimo do poder".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que "respeite as normas democráticas e o Estado de direito". A prisão de Zelaya também foi condenada pela União Européia.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado político de Zelaya, acusou o "império ianque" pela derrubada do presidente hondurenho.

Com informações da Reuters, BBC Brasil, EFE e AFP

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