Militares prendem o presidente de Honduras, Manuel Zelaya (TV)

Os militares prenderam neste domingo o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que estaria detido numa base aérea, informou o seu secretário particular, Enrique Reina, à imprensa.

AFP |

"Militares levaram o presidente para a base aérea. Estamos fazendo uma denúncia internacional", disse o secretário.

Segundo testemunha ouvida pela Radiocadena Voces, quatro comandos de 200 soldados chegaram à casa do presidente às 06H00 (12H00 GMT).

Os militares deram "quatro tiros", saindo, depois, em três veículos.

No sábado, o presidente Manuel Zelaya prosseguia decidido a não ouvir a oposição generalizada das instituições do país e de grande parte da população, insistindo em realizar neste domingo uma consulta popular que autorizasse uma reforma constitucional permitindo sua reeleição.

As urnas e o material para a consulta, tachada de "ilegal" pela justiça, já estavam sendo distribuídos entre as 15.000 seções eleitorais de todo o país, confirmou o presidente.

Os partidários de Zelaya contavam com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que denunciou "um golpe de Estado" em Honduras, acrescentando que não ficará de braços cruzados se tentarem derrubar o presidente hondurenho.

Manuel Zelaya travava uma disputa política com o Congresso e com o Tribunal Supremo de Justiça pela realização do referendo e disse que somente o povo tem a legitimidade de desautorizá-lo, ante de rumores de que as Forças Armadas estariam planejando um golpe de Estado. O Legislativo e o Judiciário do país consideram ilegal a realização da consulta popular e haviam pedido aos militares do país que desobedecessem as ordens do Executivo.

Em discurso transmitido em cadeia nacional pelas emissoras de rádio e TV, Zelaya apareceu acompanhado de lideranças que apoiavam a realização do referendo, entre elas representantes sindicais, camponeses, indígenas, estudantes.

A consulta deste 28 de junho perguntaria aos eleitores se concordavam ou não com a realização de um referendo em novembro para convocar uma Assembleia Constituinte, que elaborasse uma nova Carta Magna para o país.

Zelaya dizia que pretende promover uma democracia participativa, que substitua o atual modelo representativo. Já a oposição o acusa de procurar uma forma para permanecer no poder após o fim do seu mandato, no dia 27 de janeiro de 2010.

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