Militares nomeiam capitão como presidente da Guiné

Por Saliou Samb CONACRI (Reuters) - Oficiais golpistas das Forças Armadas da Guiné disseram estar empossando na quarta-feira ao capitão Moussa Dadis Camara como presidente do país, e prometeram realizar eleições dentro de dois anos.

Reuters |

Os militares não encontraram resistência ao rumar ao edifício presidencial, no centro de Conacri, para darem posse a Camara, que antes aparecera na TV como porta-voz oficial do Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD), nome assumido pela junta golpista.

Oficiais ligados ao golpe disseram que o obscuro capitão Camara fora indicado como chefe da junta numa reunião no quartel Alpha Yaya Diallo, o principal do país. "Estamos acompanhando o presidente do CNDD até a cidade", disse um dos oficiais à Reuters. Uma multidão se aglomerou no caminho até o palácio, à espera da passagem de Camara.

Antes, o presidente do Parlamento, Aboubacar Somparé, que pela Constituição deveria assumir o poder com a morte do presidente Lansana Conté, 74 anos, nesta semana, pedira ao mundo que evitasse a concretização do golpe. Conté governou o país durante 25 anos.

As forças golpistas parecem controlar totalmente a capital, prendendo possíveis adversários, segundo testemunhas e fontes policiais. Um grupo fortemente armado ocupou o Banco Central da Guiné, maior exportador mundial de bauxita (da qual pode ser extraído o alumínio).

Os golpistas anunciaram na terça-feira, logo após a morte de Conté, que a Constituição e o governo seriam suspensos "como um ato cívico (...) para proteger um povo em apuros".

"O CNDD se compromete em organizar eleições confiáveis e transparentes até o final de dezembro de 2010", disse Camara, fardado e com uma boina vermelha, em cadeia de TV.

Embora os líderes civis e o chefe das Forças Armadas, general Diarra Camara, tenham condenado o golpe, alguns cidadãos saíram em defesa dos militares rebeldes.

"O golpe é bom, do contrário os velhos líderes iriam manter seus negócios sujos de saquear o Estado", disse o eletricista Naby Laye Traoré.

ONU, União Africana, União Européia e Estados Unidos condenaram esse novo revés para a democracia na África, depois das turbulências pós-eleitorais do Quênia e do Zimbábue e do golpe militar de agosto na Mauritânia.

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