Militares encarnaram personagens em resgate de reféns das Farc

Bogotá, 4 jul (EFE).- Os militares que participaram do resgate da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de mais 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se apresentaram aos guerrilheiros como estrangeiros e jornalistas.

EFE |

Entre eles, havia uma mulher que se fez passar por enfermeira, revelou hoje o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, ao apresentar o vídeo da operação.

As imagens da cinematográfica "Operação Xeque", gravadas por um integrante da missão, mostram os seqüestrados antes de entrar no helicóptero branco que os tirou de um campo aberto cercado por dezenas de guerrilheiros fortemente armados.

Um dos militares, fingindo ser italiano e estar à frente de uma "missão internacional", consegue convencer o "comandante César", chefe rebelde encarregado da guarda dos reféns, a entregar sua arma, já que, devido ao caráter humanitário da operação, ele não poderia embarcar no aparelho carregando-a.

Como tinha feito minutos antes o guerrilheiro conhecido como "Gafas", "César" aceitou a condição que lhe foi imposta e entrou no helicóptero, que alçou vôo tranquilamente, tendo como destino um suposto acampamento no qual os seqüestrados ficariam sob a guarda do atual chefe das Farc, "Alfonso Cano".

"Fizemos eles acreditarem em uma comissão internacional", disse Santos, que se referiu aos membros da inteligência do Exército que participaram do resgate como "verdadeiros atores".

Os integrantes da "Operação Xeque", que receberam até orientação de psicólogos, foram "selecionados", "preparados" e "treinados para que cada um desempenhasse seu papel", disseram os generais Freddy Padilla de León, comandante das Forças Armadas, e Mario Montoya, chefe do Exército.

O vídeo mostra como os membros da elite do Exército, que treinaram durante três semanas para a missão e tiveram aulas de interpretação, convenceram até os reféns, que não queriam entrar no helicóptero.

Na gravação, um integrante da missão que fingiu ser um cinegrafista de uma emissora de TV se aproxima dos seqüestrados e, diante do desespero de alguns deles, que queriam enviar mensagens para seus familiares, responde insistentemente que não está autorizado a transmitir seus testemunhos ao vivo.

"Tenho somente uma coisa a dizer: estive acorrentado durante 10 anos. Sou o subtenente (Raimundo) Malagón, do glorioso Exército Nacional da Colômbia. Seqüestrado", grita com raiva um dos reféns.

Antes de subirem no helicóptero, os rebeldes "César" e "Gafas" aparecem rindo, enquanto os supostos membros da "missão humanitária" tentam convencer os seqüestrados a terem as mãos amarradas antes da decolagem.

Betancourt e outros reféns resistem, até que Keith Stansell, um dos três americanos resgatados, aceita e o resto o imita.

Minutos depois que o aparelho levantou vôo, sob o olhar incrédulo dos 15 reféns, o suposto italiano, um "australiano", o "jornalista" e o "cinegrafista", assim como outras pessoas da suposta "missão humanitária internacional", rendem "César" e "Gafas".

Assim que os rebeldes são dominados e têm as mãos amarradas, o verdadeiro comandante da operação grita que os supostos estrangeiros, assim como o "jornalista" e o "câmera", são, na verdade, membros do Exército Nacional.

Ao falar com os reféns, o oficial diz: "Vocês agora estão livres!".

O vídeo mostra os gritos e a euforia dos ex-reféns, que se abraçam e expressam sua alegria com lágrimas e pulos, o que obrigou os pilotos a pedir calma.

Santos e os chefes militares destacaram que, apesar de suas tropas terem recebido assistência dos EUA e de Israel, a "Operação Xeque" foi "100% colombiana". EFE rrm/sc

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