Militares de Mianmar anunciam eleições para novembro

Críticos acreditam que anúncio tem o objetivo de criar uma fachada de democracia para manter a junta militar no poder

iG São Paulo |

Mianmar (antiga Birmânia) realizará suas primeiras eleições parlamentares em duas décadas no próximo dia 7 de novembro, anunciou nesta sexta-feira a Junta Militar por meio da televisão estatal. Nas eleições de 1990, o partido da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi teve uma ampla vitória, resultado que a Junta Militar se recusou a reconhecer.

Mianmar está sob regime militar desde 1962. Seus críticos acreditam que o anúncio de eleições tem o único objetivo de criar uma fachada de democracia para manter os militares no poder, com a meta de defender pelo menos sete partidos vinculados ao regime.

Segundo a rede de TV CNN, a junta recentemente anunciou uma lei que proíbe Suu Kyi, de 64 anos, de participar da votação. A Lei de Registro de Partidos Políticos, anunciada nos jornais estatais, excluem participação eleitoral de quaisquer membros de uma legenda que tenham sido condenados na justiça.

Uma corte de Mianmar condenou Suu Kyi em agosto de 2009 por quebrar os termos de sua prisão domiciliar depois que o americano John Yettaw visitou brevemente sua casa em Yangon. Sua detenção foi estendida para novembro de 2010 e, em fevereiro, uma corte rejeitou sua apelação. Suu Kyi passou mais de 14 dos últimos 20 anos em prisão domiciliar.

Seus partidários dizem que a condenação era uma forma de mantê-la fora da campanha eleitoral. A nova lei forçou seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, a escolher entre honrá-la como sua líder ou arriscar que a legenda fosse declarada ilegal - ou expulsar Suu Kyi do partido e participar da disputa eleitoral. O comitê central do partido decidiu boicotar a votação.

Nos últimos dias, outras forças também ameaçaram não concorrer caso a Junta Militar continue intimidando seus membros. Cerca de 40 formações políticas se registraram para a eleição na Comissão Eleitoral criada pelo regime presidido pelo general Than Shwe.

Estados Unidos e União Europeia advertiram as autoridades birmanesas que não aceitarão o resultado se a votação não ocorrer de forma livre e transparente.

*Com EFE

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