Militares de Bangladesh dizem ter frustrado tentativa de golpe

Antigos e atuais oficiais qualificados como 'extremistas religiosos' tinham plano para derrubar premiê Hasina, informou Exército

iG São Paulo |

O Exército de Bangladesh afirmou nesta quinta-feira que frustrou um plano de um grupo de oficiais linha-dura, colegas aposentados e conspiradores que vivem fora do país, de dar um golpe contra a premiê Sheik Hasina.

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AP
O general Mohammad Masud Razzak durante coletiva em Dhaka, Bangladesh

A tentativa de golpe ressalta a tensão contínua entre o governo de Hasina e alguns oficiais militares desde um motim realizado em 2009. O general Muhammad Masud Razzaq disse em uma coletiva que o Exército possuia evidências específicas que cerca de 16 antigos e atuais oficiais do Exército "com visões religiosas extremas" estavam envolvidos em uma "conspiração hedionda".

Dois oficiais aposentados - o coronel Ehsan Yusuf e o major Zakir - foram presos, segundo disse Razzaq, sem afirmar, no entanto, quando isso ocorreu. Autoridades também procuram outro fugitivo, major Ziaul Haq. Ele afirmou que Haq deixou seu posto depois da prisão de Yusuf e Zakir.

Em 2009, dois meses depois que Hasina assumiu o poder, os oficiais da fronteira de Bangladesh fizeram um motim em protestos pelo seu pagamento, benefícios e perspectivas de promoção. Ao menos 74 militares foram mortos, a maioria comandantes do motim.

As autoridades militares ficaram furiosas com Hasina por não ter ordenado um ataque ao complexo, e, em vez disso, ter oferecido anistia para os manifestantes que, mais tarde, acabou sendo cancelada.

Desde então, os militares têm pressionado por um julgamento dos integrantes do motim. O governo de Hasina acusa mais de 800 guardas da fronteira por incêndio criminoso e saques em Dhaka. Centenas de participantes do motim de bases fora da capital já foram julgados e sentenciados à prisão.

Não está claro por que o supostos conspiradores do golpe são descritos como fanáticos religiosos. Hasina baniu grupos militantes islâmicos depois de assumir em 2009 e alertou em recentes discursos que esses grupos "conspiram contra seu governo"

Bangladesh, uma democracia parlamentar desde 1990, testemunhou dois presidentes assassinados em golpes militares e 19 outras tentativas de golpes que não deram certo.

O pai de Hasina, Sheikh Mujibur Rahman, ex-líder de Bangladesh, foi assassinado no primeiro golpe militar do país em 1975. Outro golpe, em 1981, matou o feneral Ziaur Rahman, marido da ex-premiê e principal rival de Hasina, Khaleda Zia.

O último comandante militar, general Hussain Mohammad Ershad, foi deposto em 1990 em um movimento pró-democracia liderado em conjunto por Hasina e Zia.

Com AP

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