Militares brasileiros feridos no Haiti relatam o momento do terremoto

¿Eu e mais quatro companheiros estávamos no andar térreo do prédio da Minustah (missão da ONU) quando sentimos o tremor. Foi o tempo de correr e sair dali. Quando olhei para trás, o prédio já estava demolido. Eram só escombros¿.

Rodrigo Haidar, iG Brasília |


O relato é do terceiro sargento Carlos Alberto da Fonseca, que integrava as tropas brasileiras que fazem parte da missão de paz da ONU no Haiti e estava na capital do país, Porto Príncipe, no momento do terremoto que devastou a cidade na última terça-feira.

O depoimento está em um vídeo de 29 minutos divulgado neste domingo pelo Exército brasileiro . O vídeo foi gravado no Hospital Geral do Exército em São Paulo, para onde parte dos militares feridos no terremoto foi encaminhada. Foram colhidos relatos de sete integrantes das tropas brasileiras.

A gente não acreditava muito no que tinha acontecido, nas imagens que a gente via, disse o terceiro sargento Tarik Souza de Fontes em seu depoimento. No momento do tremor, ele foi atingido por um muro e sofreu ferimentos em um dos pés.

Segundo o militar, pouco depois dos tremores, muitos haitianos desesperados tentavam entrar na base, mas a gente tinha que selecionar os casos mais graves. Fontes disse também que o hospital argentino tentou ser invadido pelos haitianos, que queriam ser atendidos. Era um caos muito grande.

No vídeo, alguns militares aparecem com escoriações no rosto. O capitão Renan Rodrigues de Oliveira tem o braço enfaixado. O tenente coronel Alexandre Santos estava com três colegas no Christopher Hotel na hora dos abalos. Ele diz que ficou soterrado por cinco horas.

Era muita pedra caindo em cima. Muita pedra. Não sei quanto demorou. Eu fiquei ali esperando a pancada final, que felizmente não veio, conta. Santos diz dever a vida a dois militares bolivianos que o tiraram dos escombros usando até as mãos para cavar.

De acordo com o terceiro sargento Willians Mendes Pereira, a cidade ficou completamente destruída. O militar, que ajudou no atendimento aos brasileiros, relata que por todo lugar que a gente passava, via a população chamando, dizendo que pessoas precisavam ser socorridas.

Segundo ele, havia pessoas soterradas, pessoas feridas. Mas a prioridade ali era o nosso pessoal. Então, doía o coração ver gente pedindo ajuda e não ter como ajudar naquele momento.

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