BRASÍLIA - O Ministério da Defesa do Brasil informou na manhã desta quarta-feira que quatro militares brasileiros morreram e 5 ficaram feridos após o http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/01/13/terremoto+mais+forte+dos+ultimos+200+anos+devasta+capital+do+haiti++9273091.html target=_topforte terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na última terça-feira. O ministério informou ainda que há registro de mais militares desaparecidos.

Segundo o Ministério da Defesa, os militares brasileiros que participam da missão no Haiti passaram a madrugada desta quarta-feira em trabalhos de resgate de companheiros soterrados em desabamentos de edificações e no auxílio à população local e às autoridades do País.

Segundo nota do ministério, um sobrado de três andares, denominado "Ponto Forte 22", desabou e há registro de militares brasileiros desaparecidos.

O Brasil está no comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), criada em 2004 para restabelecer a ordem política no país.

O País comanda cerca de 7 mil soldados de 15 nacionalidades e tem 1.266 cidadãos brasileiros região. A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião.

Terremoto devastador

O forte terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na tarde da última terça-feira foi o tremor mais forte a afetar o país nos últimos 200 anos. Em um espaço de um minuto, o terremoto destruiu diversos edifícios e interrompeu os serviços de energia e telefonia do país. Estima-se que centenas de pessoas tenham morrido, mas dados oficiais ainda não foram divulgados.

O terremoto provocou o desabamento do palácio presidencial, de favelas da capital, Porto Príncipe, e centenas de edificações na região. Um prédio de cinco andares usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) também desabou na terça-feira por conta do tremor.


Palácio presidencial não resistiu ao terremoto e desabou / EFE

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse que as sedes do palácio presidencial, da Receita Federal, do Ministério do Comércio e do Ministério das Relações Exteriores sofreram danos provocados pelo tremor, mas que o aeroporto da capital estava intacto. Segundo ele, o presidente René Preval escapou ileso do terremoto.

As informações sobre vítimas e danos são divulgadas de forma desorganizada por conta de problemas de comunicação no país. Como país mais pobre das Américas , o Haiti não tem equipamentos suficientes para lidar com esse tipo de desastre.


Sobrevivente é resgatada de escombros em Porto Príncipe / AFP

Epicentro

O epicentro do tremor foi registrado a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de cerca de 1 milhão de pessoas, e tremores que vieram depois, tão fortes quanto o inicial, atingiram a cidade ao longo da noite e já na quarta-feira.

Segundo o US Geological Survey, a agência geológica americana, o terremoto ocorreu por volta das 16h53 (horário local, 19h53 de Brasília) de terça-feira.

Pelo menos dois tremores secundários - de 5,9 e 5,5 graus, respectivamente, foram registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma testemunha disse que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos.

Relatos de desespero

Testemunhas do tremor relataram cenas de caos , devastação e angústia, com edifícios destruídos e pessoas mortas e feridas em Porto Príncipe e nos arredores.


Terremoto deixou rastro de destruição em Porto Príncipe / Reuters

Carel Pedre, um apresentador de rádio e TV em Porto Príncipe, disse à BBC ter testemunhado uma grande destruição no trajeto de oito quilômetros que fez pela capital para encontrar sua filha.

"Eu vi muitas pessoas chorando por ajuda, muitos edifícios desmoronados, vários carros danificados, muitas pessoas sem ajuda, pessoas ensanguentadas", relatou.

"Não há eletricidade, todas as linhas telefônicas estão desligadas, então não tem muito jeito de as pessoas entrarem em contato com suas famílias e com os amigos", disse.

Henry Bahn, um funcionário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que estava no Haiti, disse que todas as pessoas na capital haitiana estavam "assustadas e emocionadas".

Ele relatou à agência de notícias Associated Press que estava retornando ao seu hotel quando o chão começou a balançar. "Eu podia ouvir uma tremenda quantidade de barulho e de gritos à distância", disse.

Ele disse ter visto uma cratera onde antes havia várias casas. "Está cheio de muros caídos, de escombros e de arame farpado", relatou.

Ajuda humanitária

Poucas horas após o terremoto de sete graus na escala richter que atingiu o Haiti, países ao redor do mundo anunciaram o envio de ajuda humanitária para amenizar a catástrofe.


Mapa do Haiti / Fonte: Wikimedia

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou preocupação com a situação do povo do Haiti e dos brasileiros que estão naquele país, Lula deu instruções para que sejam avaliadas as necessidades para que o Brasil possa apoiar o esforço de ajuda humanitária ao Haiti.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou ao departamento de Estado e ao Pentágono que preparem o envio de ajuda humanitária ao Haiti. "Estamos vigiando a situação de perto e estamos prontos para ajudar à população do Haiti", disse Obama em comunicado.

Pouco depois, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) anunciou o envio de um primeiro destacamento de ajuda humanitária, composto por 72 pessoas, seis equipes de rastreamento com cães e 48 toneladas de equipamentos de resgate.

O Haiti é o país mais pobre do Ocidente. Com 8,5 milhões de habitantes, o país tem 80% de sua população vivendo com menos de dois dólares por dia, ou seja, abaixo do nível da pobreza.

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