Militares americanos usaram métodos ilegais de interrogatório no Afeganistão

Washington, 16 abr (EFE).- Os militares americanos utilizaram métodos ilegais para interrogar detidos no Afeganistão em 2003, revelam documentos do Pentágono divulgados hoje pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

EFE |

Os abusos foram cometidos pelos militares encarregados de interrogatórios no Centro de Detenção de Gardez, no sudeste do Afeganistão, segundo a Divisão de Pesquisas Criminais do Pentágono, assinalou a ACLU em comunicado na internet.

Os prisioneiros eram obrigados a se ajoelhar com as roupas molhadas, e sofriam agressões caso se movimentassem.

"Estes documentos revelam que as Forças Especiais batiam, queimavam e molhavam os prisioneiros com água fria antes de enviá-los a um ambiente climático gélido", disse a ACLU.

"Deixam claro que os militares estavam utilizando técnicas ilegais de interrogatório no Afeganistão", assinalou Amrit Singh, advogado da ACLU.

"Em vez de pôr fim a estes abusos sistemáticos, os oficiais de maior categoria parecem ter feito vista grossa", acrescentou.

A ACLU assinalou que agentes de operações especiais em Gardez admitiram ter utilizado técnicas chamadas "Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga" (Sere, na sigla em inglês), aplicadas aos militares americanos para o caso de serem capturados.

"Estes métodos deviam ser defensivos, não ofensivos", manifestou Singh.

Um dos prisioneiros de Gardez que sofreram essas técnicas, identificado como Jamal Naseer, morreu quando estava sob custódia americana, assinalou a ACLU.

No final de 2004, as autoridades militares americanas iniciaram uma investigação sobre as denúncias de tortura em Gardez.

No entanto, apesar de testemunhos que constatavam as torturas, a investigação concluiu que a morte de Naseer foi resultado de "um problema estomacal", disse a ACLU.

"Estes documentos colocam graves dúvidas sobre quão adequadas são as investigações militares sobre abusos de prisioneiros", manifestou Singh. EFE ojl/mh

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