Militar israelense é julgado por ordenar abrir fogo contra palestino algemado

Jerusalém 7 ago (EFE).- O tenente-coronel Omri Borberg está sendo processado por ordenar que fosse dado um tiro a curta distância com uma bala de aço recoberta de borracha contra um palestino algemado e com os olhos vendados, informou hoje o Exército israelense.

EFE |

O chefe do Estado-Maior israelense, Gabi Ashkenazi, afirmou que o incidente que protagonizou é de "muita gravidade" e "representa um fracasso moral do comando que não deveria ter acontecido", diz um comunicado distribuído hoje pelo Exército.

O Advogado Geral Militar, general Avihai Mandelblit, afirmou que o incidente não pode se submeter a apenas uma ação disciplinar interna e deve ser julgada em um tribunal militar.

Mandelblit apresentou acusações tanto contra Borberg como contra o soldado que efetuou o disparo, ao qual acusa de "conduta indigna".

A ONG B'Tselem expôs o episódio após descobrir que o mesmo havia sido gravado em vídeo e qualificou a resposta militar ao incidente de "vergonhosa", ao entender que a ata de acusação não reflete a gravidade do crime.

"Um Exército que trata o fato de abrir fogo contra um prisioneiro imobilizado como 'conduta indigna' está desonrando os valores que afirma manter", disse à Agência Efe Sarit Michaeli, porta-voz desta entidade.

A B'Tselem, junto com outras três ONG israelenses, enviou um pedido ao Advogado Geral para que seja suspenso temporariamente o processo para que endureça a ata de acusação, por considerá-la "muito leve".

"Deve-se acusá-los de acusações que estejam em acordo com a gravidade da ação: abrir fogo contra um prisioneiro que está paralisado e indefeso é muito sério", declarou.

Os fatos aconteceram no dia 7 de julho na aldeia cisjordaniana de Nilín durante um protesto contra o muro de separação israelense.

O tiro foi dado contra o palestino Ashraf Abu Rahma, de 27 anos, e na presença de um tenente-coronel que segurava o palestino pelo braço naquele momento.

O vídeo da B'Tselem mostra como um soldado israelense atira com um fuzil contra as pernas do detido a uma distância aproximada de 1,5 metro e, depois, mostra o prisioneiro caído no chão. EFE aca/fal

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