Londres, 28 nov (EFE).- Um intérprete do Exército britânico que trabalhou em 2006 para um chefe militar do Reino Unido no Afeganistão foi hoje condenado a dez anos de prisão, depois que um júri o declarasse, há várias semanas, culpado de fazer espionagem para o Irã.

O cabo Daniel James, um britânico de 45 anos nascido no Irã, foi detido em dezembro de 2006, ano em que trabalhou às ordens do general David Richards, que exercia então o cargo de comandante do contingente britânico das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão.

Segundo as provas apresentadas pela acusação durante o julgamento, que começou em outubro passado, James enviou no final de 2006 mensagens codificadas às autoridades iranianas em Cabul com o texto: "Estou a vosso serviço de vocês".

"No final de 2006, a lealdade do acusado fraquejou e ele resolveu ajudar o Irã, seu país de origem", afirmou durante o processo o advogado da Promotoria, Mark Dennis.

"Ele deu as costas aos que serviam no Afeganistão e buscou se transformar em um agente para uma potência estrangeira", afirmou o promotor.

Em uma audiência hoje no tribunal penal londrino de Old Bailey, o juiz David Roderick Evans disse em sua sentença que "a parte mais grave de seu delito, e o que faz único este caso, é que o senhor (James) realizou essa atividade quando servia em uma zona de guerra".

De acordo com agentes dos serviços de inteligência britânicos, a traição de James poderia ter custado a vida a soldados britânico e, inclusive, ter posto em perigo a segurança do Reino Unido.

No entanto, o magistrado especificou que o intérprete era um "alvo maduro" para os iranianos por sua nacionalidade, seu desencanto com o Exército britânico e sua personalidade "narcísica".

O condenado, que nega ter sido espião a serviço do Irã, reagiu sem emoção visível perante a sentença, e se limitou a inclinar sua cabeça perante o juiz ao ser retirado da sala do tribunal. EFE pa/rr

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