Lei conhecida como Don't Ask, Don't Tell deixa de valer oficialmente, permitindo que militares assumam opção sexual

Um tenente da Marinha americana se casou com seu parceiro pouco depois da meia-noite desta terça-feira, quando a lei conhecida como “Don’t Ask, Don’t Tell” (“não pergunte, não conte”), revogada em dezembro, deixou de valer oficialmente . A medida, que entrou em vigor em 1993, impedia que homens e mulheres homossexuais que prestam serviço militar declarassem sua opção sexual.

O tenente Gary Ross, 33 anos, se casou com Dan Swezy, 49 anos, que estão juntos há 11 anos. A cerimônia da qual participaram amigos e familiares aconteceu em Vermont, um dos seis Estados americanos que permitem uniões civis entre homossexuais – o Texas, onde o casal mora, não é um deles.

Militar Gary Ross (dir) se casa com o parceiro Dan Swezy em Duxbury, no Estado de Vermont
AP
Militar Gary Ross (dir) se casa com o parceiro Dan Swezy em Duxbury, no Estado de Vermont

Vestindo seu uniforme da Marinha, Ross disse ter planos de seguir carreira como militar. “Estamos muito felizes que a lei acabou”, afirmou o tenente, que nunca assumiu a homossexualidade para colegas, mas acredita que alguns deles sabiam. “Qualquer pessoa com o mínimo de percepção conseguiria notar”, disse.

Ele não planeja anunciar o casamento quando voltar ao trabalho, na quinta-feira. “Embora a lei tenha acabado, ainda será um elefante branco no meio da sala por algum tempo”, explicou.

Para Ross, o fim da lei vai simplificar vários aspectos de sua vida. “Eu precisava mentir várias vezes ao dia. Estar nas Forças Armadas é algo extremamente invasivo. Você começa a criar uma rede de desculpas quando tenta ser honesto, mas não pode”, disse.

Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou o fim da política dizendo se tratar de um importante passo em direção a cumprir os ideais de fundação do país.

"A partir de hoje, americanos patriotas em uniforme não terão mais que mentir sobre quem são a fim de servir o país que amam”, afirmou.

"Nossas Forças Armadas têm sido tanto um espelho quanto um catalisador do progresso, e nossos soldados, incluindo gays e lésbicas, deram suas vidas para defender a liberdade e as liberdades que prezamos como americanos", disse Obama.

"Hoje todo americano pode se orgulhar porque tomamos outro grande passo rumo a manter nossas Forças Armadas as melhores do mundo e rumo a cumprir os ideais de fundação de nossa nação", acrescentou o presidente.

Sob a política "Não Pergunte, Não Conte", cerca de 13 mil pessoas foram expulsas das Forças Armadas desde 1993, segundo a Rede de Defesa Legal dos Membros em Serviço.

Durante anos, grupos de direitos dos gays denunciaram a lei e pediram o seu fim como um importante marco na luta contra a discriminação homossexual.

Com AP e Reuters

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