Militantes proíbem atuação de 16 agências humanitárias na Somália

Al-Shabab invade escritórios de organizações acusadas de incitar a população contra o código de leis islâmico

iG São Paulo |

AFP
Homens descarregam alimentos em campo de refugiados de Mogadíscio (13/08)
O grupo militante islâmico Al-Shabbab proibiu nesta segunda-feira a atuação de 16 agências humanitárias – 12 delas da Organização das Nações Unidas (ONU) – na região centro-sul da Somália. A medida é anunciada no momento em que o país sofre com uma crise de fome que ameaça milhares de vidas.

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De acordo com o Al-Shabbab, as organizações estavam “motivando a população local contra o estabelecimento da sharia (código de leis islâmico)” e financiando grupos “subversivos”.

Entre as agências banidas estão o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e os Conselhos para Refugiados da Noruega e da Dinamarca.

Pieter Desloovere, responsável pelas comunicações da OMS na Somália, afirmou que os escritórios da OMS nas cidades somalis de Baidoa e Wajid foram alvo de ataque nesta segunda-feira.

Jaya Murthy, da Unicef, disse que os escritórios da agência foram ocupados pela Al-Shabaab na cidade de Baidoa.

"Todos os funcionários que estavam no escritório naquele momento receberam ordens para sair. Toda a nossa equipe está a salvo. Nosso escritório em Baidoa ainda está sob ocupação.", disse Murthy, em Genebra.

Em julho a ONU declarou crise de fome na região sul da Somália, controlada pelo Al-Shabbab, que já impunha restrições a atuação das agências. De lá para cá, houve avanços na distribuição de ajuda humanitária, mas mais de dois milhões de moradores ainda não estão recebendo alimentos, segundo a organização.

“A fome não acabou. Crianças morrem todos os dias”, afirmou Hanna Sulieman, vice-representante da missão da Unicef na Somália. “O índice de desnutrição está acima dos níveis de emergências há mais de 10 anos.”

A crise de fome ocorre quando dois adultos ou quatro crianças por grupo de 10 mil pessoas morrem de fome a cada dia e 30% das crianças são seriamente desnutridas.

As estimativas indicam que mais de 10 milhões de pessoas no Leste da África foram afetadas por uma das maiores secas dos últimos 50 anos, que levou dezenas de milhares de somalis a tentar fugir para Quênia e Etiópia.

Com AP

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